Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 15

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (14.06.2010 – 20.07.2010):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Meio ambiente e recursos naturais
Direitos humanos
Comércio internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Desarmamento e não-proliferação
Instituições internacionais e cooperação bilateral


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Jefferson Nascimento

Em 14/07, foi divulgada a contribuição de US$ 500 mil do Brasil ao “Plano de Ação Humanitária para o Iraque em 2010”, desenvolvido pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA). Os recursos visam fortalecer a alimentação escolar iraquiana, além de financiar ações de reparação e reconstrução de escolas, inclusive em campos de refugiados. A contribuição será direcionada ao Programa Mundial de Alimentos (PMA), ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e à Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Em 15/07, o Brasil coordenou a primeira atividade como presidente da Comissão de Desenvolvimento Social da OEA (Cides). A reunião “Política Social e Cooperação Internacional: Desafios dos Ministérios de Desenvolvimento Social e da Rede Interamericana de Proteção Social”, realizada em Brasília, contou com representantes do Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha, que discutiram desafios e perspectivas da cooperação internacional em políticas e programas sociais, temas que servirão de base para futuro encontro regional.

Em 20/07, o Presidente Lula sancionou o projeto de Lei 4760/2009 (agora Lei nº 12.292/2010) prevendo destinar R$ 25 mi à Autoridade Nacional Palestina, visando auxiliar a reconstrução da Faixa de Gaza, por meio de fundo administrado pela ONU. O montante será provirá do orçamento do Ministério das Relações Exteriores. Na exposição de motivos que acompanhou o projeto de lei, em 2009, o ministro Celso Amorim ressaltou o crescente envolvimento brasileiro nos esforços de paz no Oriente Médio, mencionando a expectativa de que o Brasil respaldasse seu interesse político com uma oferta de contribuição igual ou superior àquela anunciada na Conferência de Doadores de 2007, então no valor de R$ 10 mi. A vinculação entre o desempenho de maior papel político do Brasil e a participação ativa em conferências internacionais de levantamento de fundos para a questão palestina também foi citada, assim como a possibilidade de utilização de parte dos recursos na aquisição de alimentos e medicamentos para doação adquiridos no Brasil, além de projetos de cooperação técnica coordenados pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), tal qual ocorrido na doação anteriormente realizada.

O papel do Brasil como um dos maiores fornecedores do mundo de ajuda externa a países menos desenvolvidos foi tema de artigo na revista The Economist. Segundo o semanário, as contribuições anuais ao PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (entre US$ 20 e 100 mi), ao PMA – Programa Mundial de Alimentos (US$ 300 mi), a compromissos referentes ao Haiti (US$ 350 mi) e empréstimos comerciais a empresas brasileiras que atuam no exterior via BNDES (US$ 3,3 bi) fazem do Brasil um doador tão generoso quanto Suécia e Canadá, embora, ao contrário desses países, os valores de auxílio e cooperação internacional estejam em franca expansão.

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Algumas notícias:

Meio Ambiente e Recursos Naturais
Por Maybi Mota

Depois de algumas semanas de timidez da política externa ambiental, esta semana começou bastante movimentada e com declarações e reuniões-chave para o Brasil.

A Declaração Conjunta assinada em 14/07, após a IV Cúpula Brasil-União Europeia, abrangeu praticamente todos os temas tratados neste informe. No capítulo exclusivo sobre desenvolvimento sustentável, mudança climática, energia e biodiversidade (temas atualmente fulcrais para a PEB ambiental), Brasil e UE firmaram os seguintes entendimentos:

  • a Rio+20 (a ser realizada em 2012 no Brasil) deverá assegurar avanços ambiciosos e concretos sobre os temas de economia verde;
  • trabalho conjunto na preparação da COP 16 da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a fim de obter um resultado legalmente vinculante, baseado no Protocolo de Quioto e no Plano de Ação de Bali;
  • promoção do uso de energias renováveis, comprometendo-se a dar andamento à cooperação triangular com países interessados na promoção da produção sustentável de biocombustíveis, bioeletricidade e outras formas de energia sustentável em nível internacional
  • trabalho conjunto na reunião de alto nível sobre biodiversidade dos Chefes de Estado e de Governo da Assembleia Geral das Nações Unidas, visado à adoção e implementação de moldura para políticas efetivas no período pós-2010 e de um novo Plano Estratégico para a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), reconhecendo a relevância da mobilização adequada de recursos e da conclusão exitosa de negociações em torno do Protocolo de acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios (ABS) na COP10.

Destaca-se ainda a Declaração Conjunta Brasil – União Europeia – Moçambique relativa à Parceria para o Desenvolvimento Sustentável de Bioenergia, assinada em 14/07. Resumidamente, os três signatários se comprometeram a cooperar com o objetivo de promover o desenvolvimento do setor de bioenergia de forma sustentável, o que, em termos técnicos, dá início às tratativas de cooperação traingular neste setor.

Em Belo Horizonte, no dia 15, ocorreu a 15ª  Sessão da Organização Meteorológica Mundial, que reuniu diplomatas e representantes políticos para discutir os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura e as estratégias para lidar com essa questão.

Na mesma data, foi anunciada a criação do grupo de coordenação para acompanhar as ações do Plano Nacional de Implementação no Brasil da primeira etapa da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). A composição inclui representantes dos Ministérios do Meio Ambiente, da Saúde, do Trabalho e Emprego, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de entidades da sociedade civil e da indústria.

Em 20/07, a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira recebeu a visita do Ministro do Meio Ambiente do Japão Osawa Sakihito. O principal objeto da reunião foi COP-10 da CDB, tendo Izabella Teixeira reforçado mais uma vez a necessidade de se aprovar o protocolo regulando o sistema de acesso e repartição de benefícios oriundos do patrimônio genético (ABS), e estabelecerem instrumentos para o cumprimento das metas que a serem acordadas durante na COP-10.

Não é apenas o executivo que está atento à implementação de acordos internacionais. Com o objetivo de debater este tema, o Ministério Público Federal realizou, de 13 a 15 de julho, o colóquio “Tratados internacionais em matéria ambiental: boas práticas de implementação”. Os temas foram os seguintes: Convenção de Estocolmo sobre POPs; Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (Cites); CDB; ações da Convenção de Roterdã sobre o Procedimento de Consentimento Prévio Informado para o Comércio Internacional de Certas Substâncias e seu Depósito; Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança da Convenção sobre Diversidade Biológica; Protocolo da Convenção relativa às Zonas Úmidas de Importância Internacional; implementação da Convenção da Basiléia sobre o Controle de Movimentos Transfronteiriços de Resíduos Perigosos e seu Depósito e desenvolvimento da Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio e do Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio. É importante notar que o MPF tem a atribuição de zelar pela proteção do Meio Ambiente, como bem difuso e coletivo. Assim, a promoção deste colóquio demonstra a importância dos tratados internacionais para as políticas internas de proteção e conservação e como o MPF está comprometido a verificar o cumprimento destes tratados, que já foram incorporados ao Direito interno.

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Algumas notícias:

Direitos Humanos
Por Daniela Mello e Jefferson Nascimento

Entre os dias 13 a 16 de julho de 2010 foi realizada, em Brasília, a 11ª Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, tendo como tema a indagação sobre qual o tipo de Estado e de igualdade são necessários para a devida implementação da igualdade de gênero. Institucionalmente, a conferência é um órgão subsidiário da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e se realiza, em geral, a cada três anos. Seu objetivo principal é proporcionar um fórum para o debate sobre os temas de gênero, realizar recomendações aos Estados e avaliar o cumprimento dos acordos internacionais sobre a matéria. No último dia do encontro, foi aprovado o Conselho de Brasília, sugerindo, entre outras, a adoção das seguintes medidas: (i) Atribuição de maior autonomia econômica e igualdade na esfera do trabalho; (ii) Fortalecimento da cidadania das mulheres; (iii) Enfrentamento de todas as formas de violência contra a mulher; Promoção da saúde integral e dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres; e (iv) Facilitação do acesso das mulheres às novas tecnologias, promovendo meios de comunicação igualitários, democráticos e não discriminatórios.

A representação do Brasil apresentou, durante a conferência, informe sobre a observância dos direitos das mulheres no país, destacando: (i) Medida Provisória nº 483/2010, que alterou o status institucional da Secretária de Política para as Mulheres, citando as iniciativas por ela implementadas visando a promoção dos direitos das mulheres; e (ii) Diversos programas desenvolvidos com corte de gênero, envolvendo desde o fomento da participação das mulheres em espaços políticos de decisão até a valorização do trabalho doméstico, passando pelo Pacto Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres. Não obstante as medidas adotadas, o Brasil permanece sendo um dos Estados mais desiguais da América Latina em questão de gênero, ocupando apenas o 15º lugar em índice sobre o tema, que avalia aspectos de participação política, paridade econômica e bem-estar social.

Entre 13 e 15 de julho foi realizado, em Brasília, o VI Encontro Nacional das Redes de Proteção, promovido pelo ACNUR e Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH). O Encontro teve por objetivo avaliar a situação dos mais de 4,2 mil refugiados que vivem no Brasil, debatendo a capacitação dos agentes das redes de proteção que atuam no processo de integração dos refugiados, e abordando temas relacionados às mulheres migrantes e refugiadas, e adoção de ações afirmativas especialmente voltadas aos grupos mais vulneráveis de refugiados: idosos e crianças.

O escritório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) no Brasil observou avanços na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes no país desde a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente. Foi citado pela UNICEF a diminuição da taxa de mortalidade infantil em 57%; melhorias na área de educação com a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – Fundeb e com o aumento do percentual de crianças no ensino fundamental ; implementação de sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente com a criação 5.084 Conselhos de Direitos, cobrindo 91,4% dos municípios brasileiros e 5.472 Conselhos Tutelares presentes em 98,3% dos municípios. Dentre os desafios futuros apontados, destacam-se a necessidade de reduzir as disparidades, promover a universalização dos direitos, e, principalmente, combater a violência doméstica e o crescimento da taxa de homicídios de crianças e adolescentes, que, segundo dados oficiais, apresentam tendência de crescimento entre 2000 e 2007, ainda mais acentuada entre adolescentes negros.

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Algumas notícias:

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Rafael Mendes

O Ministro da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi, foi a Bruxelas nos dias 12 e 13 de Julho juntamente com outros funcionários do governo e membros da iniciativa privada objetivando negociar regras menos rígidas para a exportação de carne brasileira com destino à União Européia.

A despeito de afirmações do Ministro aos meios de comunicação de que ocorreram avanços concretos nas negociações, como por exemplo a transferência da administração da lista de fazendas credenciadas a vender gado a frigoríficos habilitados, o jornalista Assis Moreira informou, em reportagem do Valor Econômico que as autoridades da UE negaram qualquer avanço tangível ocorrido durante a visita do Ministro Wagner Rossi.

Ainda assim, é positivo que essas negociações estejam sendo conduzidas de perto por um Ministro de Estado, já que isso demonstra para a UE a importância que possui tal questão para o Brasil. Além do mais, a visita teve seus méritos por aproximar as autoridades dos dois países, estreitando os contatos de modo a futuramente resolver essa questão. Nesse setindo, o comissário de Agricultura e Desenvolvimento Rural da UE, Dacian Ciolos, declarou, após ter sido convidado por Rossi, que pretende vir ao Brasil para ver o desenvolvimento do setor agrícola nacional.

No âmbito da IV Cúpula da Parceria Estratégica Brasil-União Européia foi assinada uma Declaração Conjunta que possui alguns itens relevantes sobre Comércio e Sistema Financeiro Internacional. No capítulo “Questões Regionais e Internacionais” Brasil e UE expressaram seu comprometimento de alcançar rapdiamente a conclusão da Rodada Doha para o Desenvolvimento. Já no capítulo “Assuntos Bilaterais” Brasil e UE reafirmaram seu compromisso em estimular o crescimento e a diversificação de suas relações comerciais e fluxos de investimentos. Também acerca de questões bilaterais, a Declaração Conjunta reconhece diversos avanços no que tange ao Plano de Ação da Parceria Estratégica, adotado em 2008, quais sejam:

I) A realização em Bruxelas em junho de 2010 do II Diálogo Macroeconômico e Financeiro de Alto Nível, o qual, devido à crise financeiro, se tornou plataforma fundamental da Parceria Estratégica BR-UE ao fomentar a coordenação de políticas e ao promover idéias sobre a agenda de reformas do G20.

II) Realização em Brasília e no Rio de Janeiro em outubro de 2009 da I Reunião do Diálogo Bilateral sobre serviços Financeiros, onde se discutiu questões de regulamentação bancária, agências de classificação de crédito, fundos de cobertura, centros financeiros off-shore e derivativos, seguros, assuntos contábeis e de auditoria e remuneração no setor de serviços financeiros.

III) Realização de reuniões dos diálogos-piloto Brasil-UE sobre política industrial e regulatória, nas áreas têxteis e confecções, indústria de produtos florestais, aço, metais não-ferrosos e minerais. As reuniões realizadas até então confirmam a utilidades desses diálogos para criar ambiente industrial e regulatório favorável aos agentes de ambos os lados.

IV) A realização do primeiro encontro do Mecanismo de Consultas Brasil-UE em Questões Sanitárias e Fitossanitárias, em Bruxelas, no dia 12 de julho de 2010, que tem contribuído para o entendimento mútuo em assuntos relacionados com o comércio de animais, plantas e produtos relacionados.

Durante a cúpula Brasil-União Européia foram dadas diversas declarações sobre a negociação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE. O presidente Lula afirmou que a França, devido a pressões internas, é o principal entrave ao acordo. Nas palavras do presidente: “O companheiro que mais tem dado trabalho (nas discussões sobre a área de livre comérco) é um grande amigo meu, o presidente Sarkozy.”. Em sentido contrário, o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse que um acerto só não foi possível até agora pois o Mercosul está “pedindo muito”.

O presidente Lula afirmou ainda que dará prioridade à criação desse acordo durante o período em que presidirá o Mercosul (a partir do segundo semestre deste ano) e expressou que deseja concluí-lo até o fim do ano, quando acaba o seu mandato. Entretanto, Durão Barroso afirmou em entrevista ao Valor Econômico que “nunca trabalho com prazos rígidos, pois essa é a melhor maneira de fracassar.”

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Desarmamento e não-proliferação
Por Daniel Ribeiro e Tiago Megale

Por ocasião da IV Cúpula Brasil – União Européia, ocorrida no último dia 14, foi firmada uma declaração conjunta na qual o desarmamento e a não-proliferação foram pontos destacados. As duas partes reafirmaram o compromisso de atuar para apoiar e fortalecer os tratados e acordos multilaterais de desarmamento e não-proliferação e acolheram com satisfação a conclusão exitosa da VIII Conferência de Revisão do TNP. Afinal, apesar da contínua tensão entre as demandas dos Estados nucleares por maiores compromissos ligados à não-proliferação e as demandas dos Estados desprovidos de armas atômicas por maiores progressos na questão do desarmamento, os países foram capazes de dialogar em uma complexa agenda de questões e chegar a um acordo unânime. A adoção de um documento final na conferência de revisão, com uma extensa análise sobre o funcionamento do TNP, pode ser entendido como uma das medidas que comprovam o sucesso da cúpula. Brasil e União Européia também comprometeram-se em atuar em conjunto na AIEA com o intuito de apoiar e garantir que os países em vias de desenvolver programas nucleares para fins civis o façam de acordo com os mais elevados padrões de segurança e não-proliferação. O documento conjunto resultante da Conferência de Revisão apresenta alguns pontos conectados aos compromissos firmados por Brasil e União Européia. Na “ação 28” do documento, todos os Estados que não tenham assinado protocolos adicionais ao TNP, os quais conferem à AIEA maior autonomia de inspeção nos países, são encorajados a fazê-lo o mais rápido possível e a implementá-los provisoriamente até então. Finalmente, Brasil e União Européia demonstraram a preocupação em buscar uma solução negociada para a questão nuclear iraniana. Os dois países ressaltaram a importância da construção de confiança em torno do programa nuclear iraniano e reconheceram os recentes esforços de Brasil e Turquia. Esse posicionamento talvez ajude a elucidar a polêmica que se estabeleceu na última semana relativa à participação turco-brasileira nas negociações com o programa nuclear iraniano conforme divulgado no último informe.

A questão nuclear iraniana também ganhou destaque fora do encontro entre Brasil e União Européia. O jornalista Stephen Kinzer, colunista sobre política externa do periódico “The Guardian”, manifestou seu apoio ao acordo de troca de urânio enriquecido por combustível nuclear firmado com a participação da Turquia e do Brasil. O grande empecilho ao sucesso do pacto, segundo Kinzer, teria sido o momento em que ele se concretizou, quando Washington já preparava outra saída para a questão – a aprovação de novas sanções com o apoio dos demais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. A postura norte-americana favorável às sanções ao Irã também foi alvo de críticas de Teerã, que nesta semana acusou o governo dos Estados Unidos de ter traído o Brasil quando em cooperação com a Turquia na tentativa de obter o acordo sobre troca de material nuclear.

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Instituições internacionais e cooperação bilateral
Por Camila Tomimatsu e Kemil Jarude

A IV Cúpula Brasil-União Européia, realizada em Brasília na última quarta-feira (14/07), contou com a presença de autoridades como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, o Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso e o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim. Em declaração conjunta, os líderes destacaram a intensificação da Parceria Estratégica entre o Brasil e a União Européia em diversas áreas, quais sejam: desenvolvimento sustentável, energia, biodiversidade, mudanças climáticas, assuntos econômicos e financeiros, cooperação bilateral, regional e internacional e desafios globais. Dentre estes desafios, reconheceram a importância de um sistema multilateral centrado em uma Organização das Nações Unidas fortalecida, e, para tal, a necessidade de promover uma reforma dos principais órgãos da ONU, como a Assembléia Geral e o Conselho de Segurança. Os representantes do Brasil e da União Européia expressaram satisfação com os resultados da VI Cúpula América Latina, Caribe e União Européia (Madri, maio de 2010), assim como com a implementação positiva do Plano de Ação Conjunto (adotado por ocasião da II Cúpula, realizada em 2008 no Rio de Janeiro) e com os resultados do Diálogo Político de Alto Nível bilateral. Relembraram a importância das negociações do Acordo de Associação MERCOSUL-UE, relançadas na Cúpula MERCOSUL-UE no dia 17 de maio, em Madri, e firmaram o compromisso de alcançar uma conclusão equilibrada para a Rodada Doha de Desenvolvimento. As Partes saudaram a assinatura da Carta de Intenções entre o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil e a Comissão Européia na área de apoio a processos eleitorais, realizada em Bruxelas na última quarta-feira (14/07). A Carta prevê a cooperação tanto no nível operacional – por meio de projetos e atividades concretos de assistência eleitoral – quanto no politico, através de um diálogo sobre a assistência eleitoral e a governança democrática.

Foi também anunciada, na última quarta-feira (14/07), a Declaração Conjunta Brasil-União Européia-Moçambique relativa à parceria para o Desenvolvimento Sustentável de Bioenergia, cujo foco são os biocombustíveis e a bioeletricidade. A parceria envolverá a elaboração de um estudo para analisar o potencial moçambicano para o desenvolvimento de bioenergia de forma sustentável e o impacto sobre a pobreza do país, estudo esse que conduzirá à promoção de projetos de erradicação da pobreza e de desenvolvimento rural e urbano.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Argélia, Mourad Medelci, realizou visita ao Brasil na última segunda-feira (19/07), em resposta a convite do Ministro Celso Amorim. No encontro, foram discutidos temas de cooperação bilateral, regional e multilateral, bem como foram assinados os seguintes atos: “Memorando de entendimento para o estabelecimento de mecanismo de diálogo estratégico” e “Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Científica, Tecnológica e Técnica para implementação do Projeto de Fortalecimento da Pecuaria Leiteira na Argélia”. Os Ministros também participaram da IV Reunião da Comissão Mista Brasil-Argélia, onde foram discutidos temas de mútuo interesse como agricultura, comércio, indústria, meio ambiente e energia. A Argélia é um dos grandes parceiros do Brasil na África, com um intercâmbio comercial (superavitário para os argelinos) que passou de US$ 1,086 bilhão, em 2002, para US$ 3,134 bilhões, em 2008.

Quanto à assistência humanitária, o Governo Brasileiro realizou contribuição voluntária no valor de US$S 500 mil ao “Plano de Ação Humanitária para o Iraque em 2010” (elaborado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários), montante a ser direcionado ao Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), ao Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e à Organização Internacional para as Migrações (OIM). O valor será aplicado em ações de reconstrução de escolas e no fortalecimento da alimentação escolar iraquiana. Ainda na esteira das doações internacionais – seara em que o Brasil é um dos maiores doadores, segundo levantado pela revista “The Economist”- o presidente Lula sancionou projeto que libera R$25 milhões para reconstrução de Gaza, aproveitando a visita ao Brasil do Comissário de Relações Exteriores do Partido Palestino Fatah, Nabil Shaat. O projeto é de iniciativa governamental e já conta com a aprovação do Congresso. Os recursos serão depositados em um fundo gerenciado pela ONU.

Já quanto aos eventos anunciados pelo Ministério das Relações Exteriores, serão iniciadas, no dia 29/07, as comemorações dos vinte anos de presença brasileira no Japão organizadas pelo Itamaraty, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego e com a colaboração do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Dentre os eventos – cujo foco será a lei de imigração japonesa de 1990, a qual garantiu direitos trabalhistas aos descendentes de emigrantes nipônicos – haverá a assinatura do acordo previdenciário Brasil-Japão, em Tóquio.

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Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.

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