Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 17

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (28.07.2010 – 03.08.2010):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Meio ambiente e recursos naturais
Direitos humanos
Comércio internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Desarmamento e não-proliferação
Instituições internacionais e cooperação bilateral


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Daniela Mello e Jefferson Nascimento

Em 28/07, Helen Clark, administradora do PNUD, esteve no Brasil em visita oficial de dois dias, ocasião na qual se reuniu, entre outros, com o ministro Celso Amorim e com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Clark assinou memorando de entendimento com o Ministério da Saúde, destinado a fortalecer os sistemas de saúde pública e de vigilância epidemiológica no Haiti; o Brasil planeja investir R$ 135 milhões em ações de cooperação no país caribenho. Em encontro com Amorim, Clark firmou acordo visando incrementar as parcerias do PNUD com o Brasil na área de cooperação internacional. O avanço do Brasil no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foi ressaltado, principalmente no que tange ao combate à fome, à pobreza e na diminuição dos casos de HIV/AIDS.

Em 30/07, foi divulgada a contribuição de US$ 500 mil do Brasil ao Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), destinados à assistência humanitária aos refugiados colombianos que vivem no Equador. Os recursos deverão ser utilizados na aquisição de alimentos e materiais necessários para abrigar salas de aula nas localidades onde se encontram os refugiados.

Em 30/07, durante intervenção no Seminário de Alto Nível do 33º Período de Sessões da CEPAL – realizado em Brasília – o ministro Celso Amorim apontou a mudança de paradigma de desenvolvimento ocorrida na região desde o último período cepalino de sessões (em 2002), o qual teria se refletido na atuação externa do Brasil. Nesse sentido, Amorim ressaltou, entre outros: I) a prioridade dada à integração da América do Sul, da América Latina e do Caribe, prioridade essa que inclui um esforço brasileiro de reduzir seus superávits comerciais; II) na atuação externa pautada em um modelo de integração baseada na solidariedade e no progresso social; e III) estabilidade econômica com inclusão social, permitindo progressos concretos na distribuição de renda, mesmo que ainda alguns problemas estruturais persistam, dentre eles, déficit crônico em inovação tecnológica (no Brasil, 1,43% do PIB; na América Latina, 0,67%).

Em 03/08, foi divulgado, dentre os resultados do 39º Conselho do Mercado Comum – ocorrido em San Juan, Argentina, a aprovação de 9 projetos estruturantes para o desenvolvimento regional, mormente do Uruguai e Paraguai, totalizando a US$ 795 milhões, sendo US$ 650 milhões financiados com recursos do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul – FOCEM. Os projetos incluem linhas de transmissão elétrica, rodovias, apoio a pequenas e médias empresas, reforma de escolas públicas e saneamento básico. Na ocasião, foi aprovado também o novo Regulamento do FOCEM, que prevê um “Tratamento Mercosul”, consistente na obrigatoriedade de que os recursos aplicados no FOCEM sejam totalmente destinados a empresas fornecedoras do bloco.

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Algumas notícias:

Meio Ambiente e Recursos Naturais
Por Maybi Mota

O fato que merece maior destaque nesta semana é assinatura do Acordo sobre o Aquífero Guarani, entre o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, em 02/08. A regulação jurídica do uso e da gestão deste que é um dos maiores aquíferos conhecidos na América do Sul é algo há muito esperado pelos especialistas em águas internacionais. Através do acordo, os signatários decidiram realizar tal regulação no âmbito do Tratado da Bacia do Prata, de 1969. Além de adotar expressamente princípios básicos do Direito Internacional sobre a gestão de aquíferos transfronteiriços, o acordo reafirma a soberania dos Estados sobre seus recursos naturais e sobre o território que cobre o Sistema Aquífero Guarani. Por fim, é importante ressaltar que está prevista a criação de uma comissão conjunta que, inclusive, auxiliará na solução de eventuais controvérsias.

Durante a visita do Presidente da Nicarágua Daniel Ortega ao Brasil (28/07), estes dois países emitiram um comunicado conjunto abrangendo diversos temas relevantes. No tema de meio ambiente, comprometeram-se a colaborar para o combate à mudança do clima e para a proteção ao meio-ambiente, levando-se em conta o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ademais, o Presidente Lula reforçou sua disposição em apoiar a Nicarágua no aumento de fontes de energia renováveis em sua matriz energética e incentivar o uso mais limpo e eficiente dos combustíveis fósseis e outros combustíveis. Na área de cooperação técnica, destaca-se a assinatura do Ajuste Complementar ao Acordo Básico de Cooperação Técnica para Implementação do Projeto “Capacitação Técnica e Implementação de Mecanismos para o Manejo Sustentável do Sistema de Águas Pluviais das Bacias dos Lagos Manágua e Nicarágua”.

Em  28/07, o Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO, decidiu aprovar a proposta do Brasil de retirar as Ilhas Galápagos da lista de patrimônio em perigo. O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, justificou a proposta da seguinte forma: “Era uma (sic) alerta que não estava trazendo efeitos positivos. Tiramos as ilhas da condição de perigo e nos comprometemos a garantir cooperação para preservar”. Ainda segundo informações de Mello, a intenção é de formalizar um acordo internacional de cooperação para realizar um intercâmbio de experiências de conservação entre o arquipélago de Fernando de Noronha e as Ilhas Galápagos.

Ainda no dia 28/07, o Brasil assinou convênio com a União Internacional para a Conservação da Natureza para melhorar a avaliação, a conservação e a recuperação das espécies da fauna e da flora ameaçadas e assim se aproximar do cumprimento das metas estabelecidas na Convenção de Diversidade Biológica. Segundo o diretor do ICMBio Marcelo Marcelino, o Brasil não cumpriu a meta de ter planos de ação para todas as espécies ameaçadas, mas a está repactuando para atingir 100% das espécies em 2014. Afirma, entretanto, que, para colocá-los em prática, é necessário que a conservação da biodiversidade seja considerada uma questão central na definição de políticas e investimentos do governo.

No seu encontro com a Administradora do PNUD Helen Clark, em 29/07, a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira destacou o papel do Brasil na Cooperação Sul-Sul,  declarando que o Brasil está desenvolvendo o projeto de criar dois centros de referência para os países da América do Sul e da África. Afirmou ainda que o Brasil pode “compartilhar e transferir tecnologia e informações na área de conservação da biodiversidade, energias renováveis, mudanças climáticas, manejo florestal, agricultura orgânica, entre outros temas”.

No encontro entre o Presidente Lula e o Presidente do Uruguai José Mujica em 30/07, foi firmado o Memorando de Entendimento para a Cooperação Científica, Tecnológica, Acadêmica e de Inovação, no qual estão estabelecidas como áreas prioritárias, dentre outras, biotecnologia e meio ambiente.

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Algumas notícias:

Direitos Humanos
Por Daniela Mello e Jefferson Nascimento

A República Islâmica do Irã condenou à pena de morte por apedrejamento Sakineh Mohammadi Ashtiani, viúva de 43 anos, por crime adultério. Presa desde 2006, Ashtiani já recebeu 99 chibatadas pelo mesmo crime. Para tentar evitar a execução da pena de Ashtiani, grupos na internet iniciaram uma campanha, intitulada “ Liga Lula”, solicitando a intervenção do presidente Lula junto ao presidente Mahmoud Ahmadinejad. Inicialmente, Lula se negou a interferir no caso, argumentando que atender a pedidos de internautas para um país mudar suas leis, seria uma postura inadequada. Posteriormente, contudo, o Lula cederia, apelando a Ahmadinejad e oferecendo asilo à Ashtiani no Brasil. Paralelamente, uma campanha promovida por um filho de Ashtiani conseguiu suspender a execução de apedrejamento, anteriormente estava prevista para julho, embora não tenha derrubado sua sentença de morte.

A delegação do Estado de Honduras, ao longo da última semana, esteve no Brasil para trocar informações e experiências com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A visita tem por objetivo a criação e implementação do Ministério para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas e Afro e de Promoção de Políticas de Igualdade Racial no país centro-americano. Ao fim do encontro, os presentes afirmaram a importância da democracia e do desenvolvimento como formas de assegurar a existência de condições sociais que garantam oportunidades para as minorias.

Concluída na última semana, oficina realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) declarou que empresas e a sociedade, além do Estado por meio de políticas públicas, precisam superar a dicotomia de papéis entre homens e mulheres, visando reduzir desigualdades de gênero no mercado de trabalho. No Brasil, mesmo com o avanço de alguns indicadores sobre o mercado de trabalho feminino, o desemprego e a informalidade são maiores entre as mulheres; a renda feminina é, em média, 24% menor que a dos homens. Ademais, embora tenha havido avanço na participação da mulher no mercado de trabalho, não se verificou maior participação de homens na relação familiar, nem da oferta de serviços públicos que acompanhassem essa evolução. Para que seja mudada essa situação, é necessário a adoção de políticas públicas que enfatizem o papel igualitário de homens e mulheres tanto no mercado de trabalho quanto na relação familiar, além de mudanças na legislação e nas estratégias dos empregadores.

Por fim, ao longo da última semana a Praça de São Francisco, em São Cristóvão, Sergipe, recebeu o título Patrimônio Cultural Mundial, outorgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO. O monumento foi o único candidato brasileiro entre os 39 bens sob avaliação durante a sessão do Comitê deste ano. O presidente do Comitê e ministro da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, ressaltou que a inclusão da Praça de São Francisco na lista de Patrimônio Cultural Mundial representa “um reconhecimento à singularidade da formação do acervo cultural brasileiro”.

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Algumas notícias:

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Amanda Sborgi e Rafael Mendes

Em relatório divulgado no dia 27/07, o Escritório de Alimentação e Veterinária da Comissão Européia destacou o adequamento das fazendas brasileiras, que servem aos frigoríficos que exportam à União Europeia, nos padrões de produção e controle, principalmente no que diz respeito à febre aftosa. Ao mesmo tempo que o Brasil está enquadrado em quase todos – há pequenas falhas – os padrões exigidos pela UE, existe uma grande pressão interna – em destaque, pecuaristas irlandeses – contra a liberação total da carne brasileira, soma-se ainda, os efeitos da crise econômica européia que pairam sobre o bloco.

Ainda no campo das exportações de carne, será retomada pelo Brasil a pressão por melhor acesso da carne na Rússia. Em acordo assinado em 2005, o Brasil apoairia a entrada dos russos na OMC em troca do aumento das exportações de carne brasileira, mas o que ocorreu desde então foi uma diminuição. O Brasil quer a queda do sistema de cotas de importação russa, restando somente as taxas, mas se esse sistema for essencial, quer que seja favorecido o produto mais competitivo. Será tratado, também, a questão da participação do açúcar no mercado russo.

No dia 28 de julho o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega Saavedra, realizou visita oficial ao Brasil, a convite do presidente Lula. Ao fim da visita foi emitido um comunicado conjunto no qual os mandatários reconheceram o fortalecimento do intercâmbio comercial bilateral, que registrou um aumento de mais de 50% em relação ao mesmo período de 2009, demonstrando, portanto, que os efeitos da crise econômica de 2009 já estão sendo superados. Além do mais, durante a visita, Lula declarou que o Merecosul, durante a sua presidência do bloco, buscará incrementar as relações com os países da América Central abrigados no Sistema de Integração Centro-americana (Sica).

No dia 30 de Julho o Presidente Lula se encontrou com o Presidente do Uruguai, José Alberto Mujica Cordano, na fronteira entre os dois países, nas cidades de Santana do Livramento e Rivera. Na ocasião, emitiram comunicado conjunto no qual destacaram a importância da criação da Comissão Bilateral de Planejamento Estratégico e Integração Produtiva Brasil-Uruguai (CBPE) para a relação bilateral entre os dois países.

No âmbito do CBPE, os dois presidentes fizeram especial referência aos seguintes projetos: A) estudos sobre a viabilidade e cooperação brasileira na construação de um porto de águas profundas em La Paloma; B) necessidade da integração ferroviária entre o Brasil e o Uruguai e a construção de um porto seco em Rivera, aspectos esses de fundamental importância para o escoamento de produtos brasileiros e uruguaios e para o comércio bilateral; C) necessidade de investimentos para implantação da Hidrovia Uruguai-Brasil; D) Construção da linha de interconexão energética entre San Carlos (Uruguai) e Candiota (Brasil), de modo dar início a uma desejada integração energética. Nesse sentido, os dois presidentes determinaram que seus países preparem, num prazo de 90 dias, uma proposta de Tratado que promova a integração energética; E) implementação, no menor prazo possível, de um Sistema de Pagamento em Moeda Local (SML) entre Brasil e Uruguai, de modo a reduzir os custos operacionais das transações bilaterais, estimulando o fluxo comercial e financeiro entre os dois países; F) disposição de realizar a integração produtiva dos dois países; G) Inclusão do tema “ciência, tecnologia e inovação” no âmbito da CBPE.

Também durante o encontro entre o Presidente Lula e o Presidente Mujica foi assinado um acordo sobre transporte fluvial e lacustre de carga e de passageiros na hidrovia Uruguai-Brasil. O acordo tem por finalidade incrementar o processo de integração brasileiro-uruguaio. Ele pode ser encontrado aqui.

No dia 02 de Agosto foi assinado um Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e o Egito. O acordo é resultado de 5 rodadas negociadoras, que viam sendo realizadas desde 2004 e visa a abertura do mercado para bens, com cláusula evolutiva sobre a possibilidade futura de ampliação para acesso a mercados em serviços e investimentos.

Segundo o embaixador responsável pelo Departamento de Negociações Internacionais (DNI) do Itamaraty, Evandro Didonet, “o acordo contempla virtualmente todo o comércio do Brasil com o Egito”, acrescentou ainda que “as exceções são poucas”, citando como exemplo produtos como tabaco e vinhos, que o Egito não inclui em tratados comerciais.

Foi divulgada a balança comercial de Julho, apresentando um superávit de US$1,358 bilhão. Em comparação ao mesmo período do ano passado, as importações cresceram 51,9% e as exportações, 30,7%. A comparação anual segue o mesmo rumo, embora em valores absolutos o superávit é menor que no ano anterior. A corrente de comércio subiu 35,1%, em 2010.

No dia 03 de Agosto foi realizada em San Juan, na Argentina, a XXXIX Reunião do Conselho do Mercado Comum e estiveram presente os presidentes dos Estados Partes e dos Estados Associados do Mercosul. Os principais resultados referentes à comércio exterior da reunião foram:

a) Definição de um programa para a eliminação, até 2012, da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum no comércio entre os sócios. Essa era uma das principais aberrações para o funcionamento do bloco como uma união aduaneira. Até então, um produto importado por um país do Mercosul pagava a tarifa externa comum e depois, caso ele fosse re-exportado para outro sócio do Mercosul, a tarifa seria cobrada novamente.

b) Aprovação de um código aduaneiro do Mercosul que visa harmonizar as normas e procedimentos alfandegários adotados pelos 4 sócios do Mercosul.

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Algumas notícias:

Desarmamento e não-proliferação
Por Daniel Ribeiro e Tiago Megale

Durante a semana, por ocasião do encontro entre os presidentes de Brasil e Uruguai, foi celebrado um acordo sobre cooperação no âmbito de defesa entre os dois países. O acordo prevê intercâmbio de informações, treinamentos conjuntos, colaboração para pesquisa e desenvolvimento, aquisição de produtos e serviços de defesa, apoio logístico, atuação conjunta no campo das operações de paz, entre outros. Da mesma forma, durante encontro do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega com o presidente Lula em Brasília, os dois presidentes emitiram um comunicado conjunto em que foi aplauidida a conclusão dos trabalhos conduzidos pela MARNINCA (Missão para a Assistência de Eliminação de Minas na América Central) na Nicarágua em 27 de julho último, o que contou com a cooperação brasileira.

Em relação à questão nuclear iraniana, o presidente Lula criticou novamente essa semana as grandes potências pela aplicação de sanções contra o Irã como punição ao programa nuclear do país. O presidente brasileiro mostrou-se surpreso com a discussão em torno do recrudescimento das sanções e voltou a defender o diálogo. A declaração do chefe de Estado brasileiro parece descompassada com o atual rumo das discussões em torno da troca de material nuclear do Irã por combustível para abastecer o reator nuclear iraniano. Segundo o porta-voz iraniano,  Ramin Mehmanparast, as negociações do Irã com as potências ocidentais devem recomeçar em breve e recordou que uma reunião entre autoridades iranianas e da União Europeia está agendada para o mês de setembro.

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Algumas notícias:

Instituições internacionais e cooperação bilateral
Por Camila Tomimatsu e Kemil Jarude

A cidade argentina de San Juan foi sede de dois eventos de notável importância para a dinâmica regional: a XXXIX Reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC) e a Cúpula de Presidentes dos Estados Partes do MERCOSUL e Estados Associados, nos dias 2 e 3 de agosto. Foram aprovados os seguintes documentos na Reunião Ordinária do CMC e na Cúpula de Presidentes: 1) Declaração dos Presidentes dos Estados-Parte do MERCOSUL sobre a Concessão de Preferências Comerciais ao Haiti; 2) Declaração Conjunta sobre o Aqüífero Guarani; 3) Declaração Especial sobre a Exploração de Recursos Naturais não-renováveis na Plataforma Continental Argentina; 4) Situação entre a Venezuela e a Colômbia. Outros temas de cooperação também foram discutidos nas reuniões, conforme explicitado no Comunicado Conjunto dos Presidentes: a eliminação da dupla cobrança da Tarifa Externa Comum e a aprovação do Código Aduaneiro do MERCOSUL – apontados como passos decisivos para a consolidação do bloco; os avanços no Parlamento do MERCOSUL; as negociações de acordo de livre comércio com o Egito; a concessão de preferências tarifárias ao Haiti; a aprovação de nove projetos financiados pelo Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM), como a construção de estrada entre Concepción e Puerto Vallemi, no Paraguai, dentre outros. Ao fim da Cúpula, a Argentina transmitiu a presidência de turno do Mercosul para o Brasil, que ocupará tal cargo até dezembro de 2010.

Após o termino da Cúpula do MERCOSUL, o Presidente Lula reuniu-se com a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, encontro que constituiu a V Reunião Presidencial do Mecanismo de Integração e Coordenação Brasil-Argentina (MICBA). Em virtude da reunião, foram adotadas as seguintes Declarações: Declaração de San Juan, Declaração Conjunta sobre Malvinas e a Declaração Conjunta sobre Cooperação Nuclear.

O Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, realizou visita oficial ao Brasil no dia 28 de julho em resposta ao convite do Presidente Lula, que esteve na Nicarágua em 2007 como o primeiro Chefe de Estado brasileiro a realizar uma visita oficial àquele país. Conforme publicado em Comunicado Conjunto, foram discutidos diversos temas da agenda bilateral (como a participação brasileira em projetos da infraestrutura nicaragüense, na cooperação técnica em matéria social e no comércio), bem como de conjuntura regional e internacional (com avaliação sobre as Cúpulas América Latina-Caribe). Os Presidentes mostraram-se favoráveis a uma ampliação do Conselho de Segurança da ONU para torná-lo mais representativo – o Presidente Ortega, inclusive, manifestou apoio às pretensões do Brasil a um assento permanente no Conselho – e reconheceram a importância da ONU para a manutenção da paz e da segurança internacionais, como também para a promoção do desenvolvimento econômico e social sustentável. O Presidente Ortega também manifestou apoio à candidatura brasileira à Direção Geral da FAO, cuja eleição será realizada em junho de 2011.

Também realizou visita ao Brasil o Presidente do Cameroun (Camarões), Paul Biya, nos dias 4 e 5 de agosto de 2010. O camaronês veio a convite do Presidente Lula neste ano em que se celebram os cinqüenta anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países. Durante a reunião com o Presidente brasileiro, foram assinados os seguintes instrumentos: memorando de entendimento sobre cooperação em agricultura e pecuária; programa executivo cultural; acordo de cooperação no campo do turismo; e acordo sobre o exercício de atividade remunerada por parte de dependentes do pessoal diplomático, consular, militar, administrativo e técnico.

Outra autoridade a visitar o Brasil foi a Secretária de Relações Exteriores do México, Embaixadora Patricia Espinosa. Ela esteve em Brasília no dia 4 de agosto, a convite do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, para discutir temas de interesse bilateral, regional e multilateral, com destaque para o Acordo Estratégico de Integração Econômica entre o Brasil e o México, bem como para os assuntos relativos à Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e às perspectivas para as negociações climáticas na 16ª Conferência das Partes (COP-16) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e na 6ª Reunião das Partes no Protocolo de Quioto (CMP-6), que terão como palco Cancún.

Já o presidente Lula realizou visita, em 30 de julho, às obras de terraplanagem da subestação da linha de transmissão de Itaipu em Villa Hayes (Paraguai), a convite do Presidente do Paraguai, Fernando Lugo. A obra – que será financiada por meio do Fundo para a Convergência Estrutural e o Fortalecimento Institucional do MERCOSUL (FOCEM) – praticamente dobrará a energia que atende a capital paraguaia, Assunção.  O Presidente brasileiro também se reuniu com o Presidente do Uruguai, José Mujica, na fronteira entre as cidades de Santana do Livramento e Rivera no dia 30 de julho. Durante o encontro, foram assinados os seguintes atos: 1) Acordo sobre cooperação no âmbito da defesa; 2) Acordo sobre Transporte Fluvial e lacustre na hidrovia Uruguai-Brasil; 3) Memorando de entendimento entre o Ministério da Pesca e Agricultura do Brasil e o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai e o 4) Memorando de entendimento para a Cooperação Científica, Tecnológica, Acadêmica e de Inovação. Conforme publicado em comunicado conjunto, os Presidentes discutiram temas de interesse comum, assim como a evolução dos trabalhos da Comissão Bilateral de Planejamento Estratégico e Integração Produtiva Brasil-Uruguai (CBPE), instrumento de grande interesse estratégico para os dois países e que abrange temas de grande impacto, quais sejam a integração  ferroviária, a construção de um porto seco, da Hidrovia Uruguai-Brasil, de uma segunda ponte sobre o Rio Jaguarão, dentre outros.

Em 27 de julho, foi subscrito pelos respectivos Representantes Permanentes junto às Nações Unidas um Comunicado Conjunto entre o Brasil e as Ilhas Marshall, para marcar o estabelecimento de relações diplomáticas entre ambos – conforme as disposições da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961.

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Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.

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