Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 43

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

— ANO II —

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (08.06.2011 – 14.06.2011):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Ação trilateral EUA-Brasil-ONU a Somália; Indicadores Anefac G20

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Ataque Cibernético ao FMI; Relações Brasil – EUA e Crise grega; Produtos Chineses Baratos


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome

Por Christine Park e Juliana Alexandre

Nesta semana, a missão permanente dos EUA junto aos órgãos das Nações Unidas em Roma anunciou a doação de US$ 14,5 milhões ao Programa Mundial de Alimentos (PMA), para financiar a entrega de 65 mil toneladas de commodities agrícolas brasileiras à Somália. Tal iniciativa se insere na cooperação trilateral estabelecida entre o Brasil, os Estados Unidos e a ONU, prevista no protocolo de intenções assinado em março pelos dois países durante a visita do presidente norte-americano Barack Obama ao Brasil. O Brasil, por sua vez, segundo a Agência de Notícias Brasil-Árabe, comprometeu-se a fornecer até 710 mil toneladas de alimentos ao PMA até o fim deste ano.O estudo lançado pela ANEFAC (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) revela a posição do Brasil em relação aos países do G20 e em relação ao contexto mundial quanto à distribuição de renda, o índice de desenvolvimento humano (IDH), e de maneira geral. Apesar de apresentar-se atualmente como a 8ª economia mundial, o estudo ressalta as dificuldades que o Brasil mantém em relação à distribuição de renda, como o 15º colocado em relação aos países do G20 e o 73º lugar no contexto mundial. Rússia, Argentina e México estão dentre os países à frente do Brasil neste ranking. Já em relação ao IDH, o Brasil mantém a posição de 73º mundial e passa para o 14º em comparação aos países do G20, ficando atrás novamente dos países mencionados além da Arábia Saudita. Por fim, sua posição geral acaba em 14º em relação ao G20, à frente somente de Turquia, China, África do Sul, Indonésia e Índia.

Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por André Cardozo, Lucas Bulgarelli e Lucas Eiras

A crise institucional do FMI não se limita ao escândalo sexual do seu ex-diretor. Um ataque cibernético, na mesma onda de ataques à grandes corporações, foi verificado em servidores da instituição. No dia 8, dados foram transferidos para um computador suspeito. Não se tem idéia ainda das informações afetadas, nem se o objetivo dos hackers é fraude financeira com os dados sigilosos que a instituição mantém. “O ataque ao FMI foi claramente desenhado para infiltrar o Fundo com a intenção de conquistar informações sensíveis e privilegiadas”, disse o especialista Mohan Koo.

Na esteira do comércio Brasil – EUA, notícias recentes demonstram um crescimento na colaboração entre os dois países, em temas intrínsecos ao comércio bilateral. A primeira indica que ambos vão criar regras comuns de padronização e segurança para produtos a venda no mercado. A decisão contou a assinatura no dia 10 de Junho de um convênio entre o Inmetro e a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (CSPC) dos EUA. O projeto experimental é para berços de crianças. Há também previsão de recalls conjuntos. Outra notícia interessante é que os americanos estão considerando seriamente a possibilidade de facilitar a entrada de turistas brasileiros no país. Os tupiniquins são os turistas que mais gastam nos EUA, e diferentemente do perfil de 20 anos atrás, que era em busca de trabalho, hoje a maioria vai em busca de compras. O governo dos Estados Unidos quer incluir o Brasil no sistema “Global Entry”, que facilita entrada de viajantes no território americano, e quer criar uma “faixa verde” para mercadorias entre os aeroportos dos dois países, o que permitirá a liberação de mercadorias ainda no ponto de origem.

O caso da crise grega também tem mais um capítulo cinzento: A Grécia se tornou o país com a pior nota de crédito do mundo no dia 13 de Junho, após a S&P (Standard & Poor’s) reduzir a classificação de risco do país em três níveis e considerar um “default” cada vez mais provável. A reestruturação da dívida da Grécia –seja por uma troca de títulos, seja pela extensão do prazo dos bônus existentes– parece cada vez mais provável, imposta pelas autoridades europeias como uma forma de dividir o impacto da crise no país com o setor privado, avaliou a S&P em comunicado.

Para complementar, um artigo do The Economist questiona sobre o momento das mercadorias produzidas pela China: seria fim do bens baratos? A capacidade chinesa, segundo o texto, de segurar a inflação mundial nos ultimos 30 anos pode não ser mais a mesma em pouco tempo – os preços de industrias como a de brinquedos e texteis estão subindo cerca de 5% ao ano, grande parte influenciada pelo próprio crescimento da demanda chinesa e pelo aumento da renda dos trabalhadores, sem falar no preço das terras. Como exemplo, hoje equipamentos similares aos novos tablets são vendidos nas grandes feiras chinesas por cerca de US$ 150,00. Especialistas apontam que a produção pode se espalhar para outros países da região como Tailândia, Vietnam, Malásia, Índia, Indonésia e as regiões ocidentais da China, mas nunca será como aconteceu nos últimos 30 anos, com a abundante oferta chinesa de eletrônicos e roupas baratas sendo exportados para todo mundo com custos de produção absolutamente baixos.

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Algumas notícias:


Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.

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