Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 72

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (25.04.2013 – 01.05.2013):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Mali; Crise alimentar; Instabilidade; Segurança

Comércio Internacional, OMC e Sistema Financeiro Internacional
OMC; Azevêdo; BRICS; México; Blanco; Argentina; Bolívia; Mercosul

Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
OMC; Azevêdo; Maduro; Cuba; Enrico Letta; Itália


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Camila Schipper e Mateus Rabelo

Família de refugiados do Mali em campo no Níger.

Três meses após a expulsão de rebeldes islâmicos do país, o Mali sofre de escassez de alimentos, aumento do preço de tais bens e uma crescente insegurança em todo o país. Com relação à segurança alimentar, uma em cada cinco casas sofre restrições na provisão de alimento. Mesmo após a expulsão dos rebeldes, lojas ainda permanecem fechadas em Timbuktu, o que também ocorre com algumas ONGs atuantes na região. Segundo Codé Cissé, diretor da ONG Intersos, “as organizações não-governamentais proviam comida, criavam empregos para a população local. Como irrigação é a base da agricultura, são as ONGs que forneciam sementes, fertilizantes, instrumentos. Desta forma temos um aumento da pobreza na região”. A Oxfam reitera o agravamento da situação de segurança no país, visão que destoa do diagnóstico da maior parte dos doadores internacionais que, entendendo ter havido melhora na situação do país, reduziram a ajuda financeira. Por exemplo, o UNICEF afirmou precisar 82 milhões de dólares para atender às necessidade de emergência às crianças, tendo recebido apenas 25% do total.

Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Alba Araújo e Caique César

Nesta semana definiram-se os dois nomes a integrarem a etapa final rumo à chefia da Organização Mundial do Comércio. No dia 25, foi revelado que o brasileiro Roberto Azevedo disputará com o mexicano Hermínio Blanco o posto principal do órgâo, cuja reforma é essencial frente ao truculento panorama econômico no qual se vislumbra um claro embate acontece entre a urgência pela liberalização dos mercados e a necessidade de proteção dos países em desenvolvimento.

Blanco, apesar de ter se afastado das negociações pós-Doha para atuar no setor privado, é visto como um candidato experiente e tradicional. Conservador em seu estilo, é atrativo para os países dominantes no cenário atual que vêem o panorama do comércio internacional como desestimulante, graças às barreiras protecionistas estipuladas pelos países do sul. Azevêdo tem nas bases de seu grupo de apoio os BRICS e outros representantes do mundo emergente, que por serem economias crescentes se beneficiam de um cenário onde possam empregar taxas alfandegárias e outras formas de subsídios com mais liberdade. Ainda assim, o candidato brasileiro não representa necessariamente uma ameaça aos mais liberais, visto que sua atuação recente como embaixador brasileiro junto à OMC tornou-o experiente em articulações práticas das relações Norte-Sul, compensando o fato de não ter sido ministro do desenvolvimento, como seu concorrente. O selecionado para a cedeira deverá ser anunciado até o final do mês de maio.

Presidenta Dilma Rousseff durante visita oficial à República da Argentina Buenos Aires - Argentina, 25/04/2013 Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Também esta semana, a presidenta Dilma Rousseff viajou a Buenos Aires para discutir com Cristina Kirchner encaminhamentos cruciais na relação bilateral Brasil-Argentina. Durante a visita, Dilma falou em tom amistoso sobre cooperação e união entre os dois países, que vivem momentos delicados em suas relações comerciais com o anúncio da saída da Vale de território argentino e com o medo das demissões em massa deste processo. O diálogo se estendeu além dessa questão para assuntos como financiamento a projetos de usinas energéticas argentinas e empecilhos fiscais a certos setores como o de carne suína brasileira e o de camarões argentinos. A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações nacionais de manufaturas, além de sócio principal do Mercosul, razões pelas quais é imprescindível que os dois países mantenham suas relações saudáveis e evitem conflitos comerciais.

Sobre o Mercosul, A Bolívia iniciou esta semana reuniões para decidir os termos do país para a adesão como membro pleno do bloco. As reuniões para “traçar linhas de trabalho e promover encontros empresariais” são uma das etapas finais do processo que tornaria a Bolívia o sexto membro do grupo junto com Uruguai, Brasil, Argentina, Venezuela e Paraguai (este suspenso temporariamente). A integralização vêm ocorrendo desde o tratado assinado em Dezembro por Evo Morales e a participação da Bolívia como Estado associado ao Mercosul, desde 1997.

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Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Henry Suzuki e Priscila Pires

O brasileiro Roberto Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco são os finalistas na disputa da OMC  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/brasileiro-roberto-azevedo-vai-para-final-na-acirrada-disputa-pela-chefia-da-omc-8210258#ixzz2SFRH4rvd  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização (Fonte: O Globo)

Na última sexta-feira (26), a OMC confirmou oficialmente a disputa pelo cargo de diretor da organização entre o brasileiro Roberto Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco. O brasileiro possui o apoio da maioria dos países emergentes, enquanto que o mexicano é sustentado pelos países desenvolvidos. O nome escolhido será divulgado nos próximos dias.

No dia 27, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, realizou sua primeira visita de Estado ao ir para Cuba. Maduro, que ainda enfrenta questionamentos sobre a sua legitimidade no cargo após a vitória acirrada, reafirmou a aliança entre os dois países. Além disso, ambos os governos assinaram acordos de cooperação para dar continuidade ao intenso intercâmbio econômico entre Venezuela e Cuba, que se iniciou com Chávez.

Enrico Letta assumiu o cargo de primeiro-ministro da Itália no domingo (28). Após dois meses de grave impasse político desde as eleições parlamentares ocorridas nos dias 24 e 25 de fevereiro último, o presidente Giorgio Napolitano conseguiu um nome aceito pelos principais partidos políticos italianos. Enrico Letta é o segundo nome do Partido Democrático (PD), partido este que conseguiu a maioria na Câmara dos Deputados, mas que não obteve desempenho semelhante no Senado. O fato de o PD não ter conseguido a maioria das cadeiras na Câmara Alta impossibilitou, devido ao sistema parlamentarista do país, a formação de um governo sem coalização com os outros partidos (principalmente com o PDL de Berlusconi e o M5S de Beppe Grillo). As tentativas de formação de um governo de coalização vinham falhando até agora. O novo primeiro-ministro italiano tem o desafio de tirar a terceira maior economia da zona do Euro da recessão, além de buscar o retorno da confiança do povo italiano no governo, que foi abalada por diversos escândalos de corrupção.

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Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.


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