Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 76

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (23.05.2013 – 29.05.2013):

Direitos Humanos
ONU; Copa do Mundo; Olímpíadas; Brasil

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Balança comercial de maio; Argentina; Exportações; Veículos; Têxteis e Calçados

Combate ao Terrorismo e Narcotráfico
Atentados no Níger; Agadez e Arlit; União Africana; Conselho de Segurança da ONU

Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
União Africana; Dilma; Brasil; África


Direitos Humanos
Por Maria Luciano e Marina Luna

Representantes da ONU, vítimas e ativistas denunciaram nesta terça-feira nas Nações Unidas sérias violações aos direitos humanos que estão sendo cometidas no Brasil por conta das obras e preparação do País para a Copa do Mundo em 2014 e Jogos Olímpicos em 2016, além de pedirem que governos estrangeiros pressionem Brasília para frear obras que estejam criando consequências sociais negativas. A reunião ocorre durante a 23ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra.

Segundo os organizadores da manifestação, o debate tratou dos “deslocamentos forçados de comunidades, destruição de patrimônio cultural, supressão de direitos de idosos e estudantes, abusos policiais cometidos em prol da segurança e uma longa lista de outras violações semelhantes em decorrência de megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas”.

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Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Jefferson Nascimento

Em 27/05, foram divulgados os dados da balança comercial da quarta semana de maio; houve um saldo positivo de US$ 461 milhões, com uma corrente de comércio de US$ 9,935 bilhões. Nos 17 dias úteis de maio, as exportações somaram US$ 17,907 bilhões, valor 0,2% abaixo do apurado no mesmo período de 2012. Os principais setores responsáveis pela queda foram o de produtos semimanufaturados (-11,2%) e manufaturados (-2,9%). Já as exportações de básicos aumentaram 4,7%, com destaque para milho em grãos, soja em grãos, fumo em folhas, carne de frango, minério de ferro e farelo de soja. As importações somaram US$ 16,389 bilhões, resultado 4,7% maior do que o mesmo período de 2012. Destacam-se o aumento dos gastos com adubos e fertilizantes (51,4%), plásticos e obras (17,9%), aparelhos eletroeletrônicos (17,7%), instrumentos de ótica e precisão (12,3%), químicos orgânicos e inorgânicos (9,8%) e veículos automóveis e partes (6,8%). O superávit de maio é de US$ 1,518 bilhão, com média diária de US$ 89,3 milhões (33,7% menor na comparação com maio de 2012). A corrente de comércio no mês alcançou US$ 34,296 bilhões (aumento de 2,1% na comparação com 2012).

Na última semana foi divulgado um resultado que surpreendeu analistas: as exportações brasileiras para a Argentina tiveram um substancial crescimento em abril de 31%, contrariando a tendência verificada desde o início do ano. O crescimento foi fortemente lastreado no aumento das exportações do setor de veículos, incluindo tratores e peças automotivas (+49% na comparação com o mesmo período de 2012). Alguns especialistas acreditam que tal aumento se dê devido à utilização de automóveis como reserva de valor contra o aumento desenfreado da inflação argentina. Os setores de calçados e têxteis também verificaram aumento nas exportações, em parte motivados pelo afrouxamento das barreiras informações à importação na Argentina. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), a importação de calçados da Argentina teve um aumento de 12% em valor e 34% em volume na comparação com 2012. Não obstante o crescimento verificado, ainda há ceticismo quanto à sustantabilidade do incremento nas vendas, seja pela instabilidade político-econômica do país vizinho, seja pelas perspectivas de arrefecimento das compras no segundo semestre após um início de ano anormalmente aquecido.

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Algumas notícias:


Combate ao Terrorismo e Narcotráfico
Por Jefferson Nascimento

Em nota divulgada no dia 23/05, o governo brasileiro repudiou a notícia dos atentados a bomba ocorridos em Agadez e Arlit, no Níger, que teriam causado a morte de ao menos 20 pessoas, reiterando o posicionamento de condenação a todo ato de terrorismo e violência.

Os atentados suicidas foram igualmente condenados por Nkosazana Dlamini Zuma, presidenta da Comissão da União Africana (UA), que expressou total apoio da União às autoridades nigerinas no sentido de lutar contra o terrorismo na região, além de contentamento pela contribuição do Niger de tropas africanas na Missão Internacional de Suporte ao Mali (AFISMA).

Em 24/05, o Vice-Porta-Voz do Conselho de Segurança das Nações Unidas, Eduardo Del Buey, divulgou comunicado dos membros do Conselho condenando nos mais fortes termos os atos terroristas ocorridos no Níger, ressaltando a necessidade de levar os responsáveis à Justiça e conclamando todos os estados a cooperar ativamente com as autoridades nigerinas no que tange ao assunto. O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, reafirmou o apoio das Nações Unidas aos esforços do governo do Níger e outros países da região do Sahel no combate ao flagelo do terrorismo e do crime transnacional.

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Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Henry Suzuki e Priscila Pires

No último fim de semana, a presidente Dilma participou do Jubileu de Ouro da União Africana (UA) realizada na capital da Etiópia, Adis Abeba. A presidente se reuniu na sexta (24) com o primeiro-ministro etíope para assinar atos de cooperação entre os dois países. No sábado (25), discursou na cerimônia de comemoração da UA. Dilma destacou em sua fala os fortes laços históricos do Brasil com o continente africano, afirmando que o governo brasileiro está se empenhando para fortalecer ainda mais as relações entre o Brasil e África.

A presidente reconheceu o renascimento socioeconômico africano e assegurou, por parte do governo brasileiro, disponibilidade de investimento, cooperação técnica e transferências tecnológicas para apoiar o desenvolvimento dos países africanos. É o que ela denominou de cooperação no padrão Sul-Sul, uma cooperação que “não seja opressiva, que seja baseada em vantagens mútuas e valores compartilhados”. Por fim, Dilma anunciou na mesma cerimônia o perdão de R$ 1,8 trilhão das dívidas de 12 países africanos, simbolizando o objetivo de estreitamento de laços por parte do Brasil.

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Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.


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