Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 82

ObservatÛrio da PolÌtica Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (09.06.2014 – 22.06.2014):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Conferência internacional, Comércio inter-regional, Segurança alimentar

Direitos Humanos
Egito, Pena de morte, Protestos, Irmandade Muçulmana

Instituições internacionais e cooperação bilateral
Encontros Bilaterais, Brasil, Alemanha, Trocas Comerciais, Segurança Eletrônica


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Matheus Marchiori e Tatiana Braga

Com o objetivo de fornecer a base científica para a elaboração de políticas de nutrição que promovam a segurança alimentar e a saúde, a FAO e a OMS organizam a Segunda Conferência Internacional sobre Nutrição (ICN2). Com o tema “Uma nutrição melhor, uma vida melhor”, ela será realizada em Roma entre 19 e 21 de novembro e contará com a participação de chefes de Estado, de governo e outros líderes. Ao longo da reunião, deverá ser aprovada uma declaração política sobre nutrição, bem como um plano de ação referente aos compromissos assumidos. Também será discutida a paradoxal coexistência de desnutrição grave e de obesidade em um mesmo país.Desde a primeira conferência, realizada em 1992, a desnutrição reduziu em 17%, porém o progresso tem sido desigual e insuficiente: ainda há, no mundo, mais de 840 milhões de pessoas cronicamente subnutridas e a subnutrição é responsável por metade das mortes de crianças com menos de cinco anos de idade. Além de ser uma preocupante questão humanitária, ela causa uma perda anual de até 5% da renda global, considerando a queda de produtividade e as despesas governamentais com saúde.

Os principais desafios são a oscilação dos preços dos alimentos no mercado internacional, diante da grande dependência dos mercados mundiais, e a baixa produtividade agrícola. Na América Latina e no Caribe, busca-se fortalecer o comércio inter-regional de alimentos para auxiliar no combate à fome. Há um grande potencial para expandir esse tipo de comércio, considerando que 57% das exportações agropecuárias vêm de fora da região (dados da FAO).

De acordo com Raúl Benítez, representante da FAO, é preciso integrar as ações nacionais de combate à fome com as negociações comerciais e de cooperação, tanto entre os países quanto nos organismos supranacionais. Nesse viés, deve ser valorizada a agricultura familiar. Assim, será possível aumentar o impacto do comércio inter-regional sobre a segurança alimentar, além de promover o desenvolvimento agrícola.

Além do desenvolvimento agrícola, a FAO tem incentivado a cooperação bilateral em outras áreas como forma de combate a fome e estímulo à segurança alimentar. Tanto que o direitor-geral da FAO e o Ministro da Pesca e Agricultura assinaram uma parceria entre países africanos e o Brasil também no setor da pesca, que incluem cooperação técnica e ajuda financeira-tecnológica para promoção da segurança alimentar na África.

Algumas notícias:


Direitos Humanos
Por Lucas Abdo, Paulo Guedes e Raquel Oliveira

O líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e outros 182 membros do grupo islâmico foram sentenciados a morte neste sábado, 21, por um tribunal do Egito. A sentença inicial condenava cerca de 683 pessoas, acusadas de incitar a violência durante protestos em meados do ano passado, quando dezenas de cidadãos morreram em confrontos.A ONG Anistia Internacional pediu a imediata anulação das condenações, caracterizando o sistema judiciário egípcio como imparcial, além da pena capital ser utilizada pelo governo com o intuito de eliminar adversários políticos.

Em março, por meio uma sentença proferida sem júri e sem a maioria dos acusados, 529 partidários do presidente deposto Mohamed Morsi foram condenados à morte, também acusados por atos de violência ocorridos em agosto de 2013. Segundo o procedimento jurídico do Egito, as penas devem ser avaliadas pela liderança religiosa e, então, confirmadas pela corte. Assim, 37 pessoas condenadas naquele mês tiveram a pena capital confirmada, sendo os demais sentenciados a 25 anos de prisão.

Morsi foi deposto pelo Exército do Egito em julho de 2013, um ano após ser eleito de forma democrática. O ex-presidente se tornou impopular após suas ações contra o Exército, seu acúmulo de poderes, seu autoritarismo e pela influência política da Irmandade Muçulmana no país. Protestos da população e da oposição se espalharam pelo Egito, e os confrontos entre militantes islâmicos e forças de segurança resultaram em mortos e feridos ao longo dos meses seguintes. As condenações à morte anteriormente citadas foram impostas em um contexto de repressão contra os partidários do ex-presidente e a sua fraternidade.

Algumas notícias:


Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Marina Arvigo, Thais dos Santos e Thomás Peresi

Nas últimas semanas, em âmbito de cooperação bilateral entre países, aconteceram diversos encontros entre a presidente brasileira Dilma Rousseff e chefes de Estado estrangeiros. Dentre todos, ressalta-se a visita feita, pela chanceler alemã Angela Merkel, no dia 15 de junho, ao Palácio da Alvorada.

Na ocasião, conforme declaração à imprensa pelas próprias mandatárias, foram discutidos diversos assuntos, dentre os quais o incremento no fluxo comercial e de investimentos Brasil-Alemanha, cooperação em inovação, educação e energia e também a segurança nas comunicações eletrônicas – temática esta que está em voga desde as revelações feitas por um ex-prestador de serviços da NSA (Agência de Segurança Nacional) dos Estados Unidos, Edward Snowden.

Foi alvo de conversação a notável proposta apresentada pelo Brasil e pela Alemanha, na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), para o desenvolvimento de diretrizes que assegurem o direito à privacidade no ambiente virtual. Tal resolução foi aprovada em dezembro de 2013 e possui extrema preponderância no combate às iniciativas de espionagem digital, realizada pelos Estados Unidos.

Com relação às trocas econômicas entre os dois países, a presidente Dilma demonstrou a inequívoca vontade do governo brasileiros em incrementar a participação de bens de maior valor agregado nas exportações para a Alemanha. Ademais, destacou a importância e relevância dos investimentos realizados por empresas alemães, no Brasil, com ênfase nas áreas automobilísticas e de indústria química. Segundo o Ministério das Relações Exteriores Brasileiro, o comércio entre as duas nações chegou a incrível cifra de US$ 21,7 bilhões – valor que personaliza a Alemanha como o principal parceiro de negócios do Brasil no continente europeu, e o quarto maior no mundo.

Esse aprofundamento nas iniciativas para encontros bilaterais, por parte do governo brasileiro, cresceu vertiginosamente nos últimos anos, em decorrência da vontade do Brasil em aumentar sua relevância no cenário internacional e também pelo principal pleito de nosso país em âmbito mundial – qual seja, um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Retornar ao topo

Algumas notícias:


Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s