Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 81

ObservatÛrio da PolÌtica Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (26.05.2014 – 08.06.2014):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Extrema pobreza, Agricultura familiar, Escassez de abastecimento

Meio Ambiente e Recursos Naturais
Água, Cantareira, Amazônia, Países-ilha, Desenvolvimento, Acordo Climático

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Banco de desenvolvimento, BRICS, Sistema financeiro, Financiamento

Paz e Segurança Internacional
Eleições, Ucrânia, Síria, Veto, Conselho de Segurança

Instituições internacionais e cooperação bilateral
União Europeia, Mercosul, Acordo de livre-comércio


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Matheus Marchiori e Tatiana Braga

Em balanço do Plano Brasil sem Miséria, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à fome, Tereza Campello, informou que 22 milhões de brasileiros, principalmente crianças, deixaram a situação de miséria, passando a ter renda de R$ 77 mensais. Com isso, a extrema pobreza está reduzida a cerca de 300 mil famílias, que ainda precisam ser identificadas pelo governo.

O Plano Brasil sem Miséria foi criado pela presidente Dilma Rousseff em 2011. A atuação se dá em três frentes: garantia de renda, acesso a serviços públicos (como educação, saúde e assistência social) e inclusão produtiva. Este último visa auxiliar na qualificação profissional e aumentar as oportunidades de trabalho e geração de renda.

Como consequências das medidas, a extrema pobreza no Brasil foi reduzida em 16%, sendo que especificamente no Nordeste a redução foi de 21%. Também houve queda da mortalidade infantil: a causada por diarréia caiu 46% e a por desnutrição, 58%. Seguindo o parâmetro internacional (poder de compra de US$ 1,25, por pessoa e por dia), o plano considera os brasileiros com renda mensal inferior a R$ 70 (R$ 77 após o reajuste) extremamente pobres. O principal desafio atual para governo é localizar as 300 mil famílias que vivem em extrema pobreza e encontram-se excluídas das redes de proteção social. Para isso, a estratégia é a Busca Ativa, cujo objetivo é localizar as famílias mais pobres.

O principal desafio atual para governo é localizar as 300 mil famílias que vivem em extrema pobreza e encontram-se excluídas das redes de proteção social. Para isso, a estratégia é a Busca Ativa, cujo objetivo é localizar as famílias mais pobres. O ano de 2014 foi instituído pela ONU o Ano Internacional da Agricultura Familiar, em razão do crescimento deste tipo de agricultura e de sua contribuição para a erradicação da fome e da pobreza, para a segurança alimentar e nutricional e para a dinamização das economias locais.

Nesse viés, o Ministério brasileiro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) coordena, desde 2012, o Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA). Em seminário realizado no dia 4 de junho, a modalidade Compra Institucional + Desenvolvimento Local é apresentada para países africanos e asiáticos. Ela consiste em promover o abastecimento de entidades sob responsabilidade de governos estaduais, prefeituras e órgãos federais com recursos financeiros próprios, que são destinados a compra de produtos da agricultura familiar local. Como os recursos se transformam em renda para os agricultores familiares, que gastam no comércio local, essa medida dinamiza o comércio do próprio município ou estado.

As experiências do governo brasileiro no estímulo da agricultura familiar têm servido de referência para vários países, como Etiópia, Níger, Moçambique, Malauí, Senegal, e para organizações internacionais, como Departamento Britânico para o Desenvolvimento Internacional (DFID) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Na Venezuela, a escassez de abastecimento, que já assola o país há mais de um ano, parece ter atingido níveis altíssimos. O governo de Nicolás Maduro vem sendo duramente criticado. Não são raras as situações em que as pessoas passam quase o dia todo em filas para poderem garantir alguns dos alimentos essenciais. Entidades assistenciais que fornecem comida a população carente têm sofrido para manter suas atividades. O governo iniciou um sistema de identificação que rastreia as compras e tenta evitar estoques, auxiliando em uma distribuição mais equilibrada para toda a população. Os críticos deste sistema dizem que ele remete ao sistema de racionamento que vigora em Cuba.

Algumas notícias:


Meio Ambiente e Recursos Naturais
Por Isabella Aragão

No contexto global, as mudanças surgem para o mal e para o bem. Assim também operam as mudanças no meio ambiente, as quais impactam positiva ou negativamente a vida das pessoas. No Brasil, apesar dos ânimos exaltados por conta da Copa do Mundo de 2014, muitos problemas têm preocupado o futuro da pátria amada. A principal inquietude presente internamente é com relação ao Sistema Cantareira, o qual provê água para várias cidades, incluindo São Paulo, capital e sede de muitos outros conflitos. O volume útil do “coração” do Cantareira chegou, pela primeira vez, ao limite mínimo de captação de água por gravidade, ou seja, 0% do volume útil armazenado. A retirada de água, atualmente, já está sendo realizada através do bombeamento do polêmico “volume morto”, que fica represado abaixo do nível das comportas da Sabesp e não apresenta condições ideais de potabilidade. A previsão é de que a reserva atual acabará no dia 27 de outubro de 2014, um dia após o segundo turno das eleições do governo paulista. O racionamento de água não é uma opção totalmente descartada, embora a Sabesp afirme que a reserva atual é suficiente para garantir o abastecimento de água.

Contrariamente à tendência da água, que construiu uma relação diretamente proporcional entre “aumento de gastos” e “aumento da escassez de água”, a Amazônia, de acordo com as pesquisas científicas da revista norteamericana “Science”, apresenta uma relação inversamente proporcional entre “diminuição do desmatamento” e “aumento da produtividade de alimentos”. Isso equivale dizer que foi constatado cientificamente que é possível produzir mais alimentos na Amazônia, como a soja e a pecuária bovina, sem desmatá-la e criar dificuldades ao meio ambiente. Esforços públicos e privados garantiram a fiscalização e evitaram o desmatamento ilegal, preservando áreas e, ao mesmo tempo, estimulando uma produtividade consciente. Porém, ambos os esforços devem ser cada vez mais integrados, para zerar o desmatamento e impedir que a floresta sofra a pressão advinda da expansão desses produtos alimentícios. Uma aliança entre a indústria de commodities e as políticas públicas é uma oportunidade de exigir do mercado que o Código Florestal seja aplicado, assim como a facilitação do acesso a crédito, por exemplo, seria uma forma de compensar produtores que sempre estiveram dentro da lei e, desta forma, evitar um possível desmate no bioma.

Saindo do contexto brasileiro, de secas e combates ao desmatamento, é fácil se deparar com questões que provêm de um aquecimento global, cada vez mais difundido. De acordo com a ONU, pequenos países insulares no Índico e no Caribe podem sofrer imensamente com tal aquecimento, pois os danos aos recifes de corais, além de mais frequentes, descobriram-se irreversíveis, permitindo a elevação do nível do mar. Os corais são berçários para muitos tipos de peixes e, mais ainda, eles ajudam a proteger as costas de tempestades e tsunamis, também atraindo turistas. A perda desse ecossistema em crise, matando minúsculos animais que vivem ali, pode tornar algumas ilhas inabitáveis e causar prejuízos de trilhões de dólares por ano dos serviços proporcionados pela natureza. Enfrentar a mudança climática é absolutamente vital para a sobrevivência dos pequenos países-ilha, mas também depende de uma conscientização de outros países do globo para diminuírem suas emissões de gases poluentes.

Tendo em vista essa conscientização, os líderes do G7, os países mais industrializados do mundo, apoiaram a realização de um novo acordo global sobre as mudanças climáticasem 2015. As promessas dos Estados Unidos da América, no começo dessa semana, deram um novo ânimo às negociações. Estabelecendo limites às suas emissões, os países estão sendo movidos por uma forte determinação, refletindo as mudanças globais de temperatura e nível do mar, principalmente. As buscas por segurança energética e o debate climático andam juntos, para que se estabeleça um clima harmônico e saudável para o planeta. As mudanças podem vir para o bem, dependendo das iniciativas e da busca por transformações para o melhor.

Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Fernanda Botti e Danilo Domingues Guimaraes

Após dois anos de negociações, o banco de desenvolvimento dos BRICS pode se tornar realidade já no segundo semestre. Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul deverão assinar um tratado para oficializar sua criação durante a Cúpula do grupo, que ocorrerá dia 15 de julho, em Fortaleza. Trata-se de uma iniciativa dos países em desenvolvimento para o financiamento de obras de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, com maior independência em relação ao sistema financeiro tradicional – dominado por países centrais. O novo banco contribuirá para a suprir as demandas dos BRIC’s, evitando que sofram interferência em seus assuntos interno ao conseguirem recursos para projetos, situação recorrente em se tratando do FMI ou Banco Mundial.

Inicialmente, o banco de desenvolvimento dos BRICS terá capital inicial de 50 bilhões de dólares, e cada um dos países membro fundadores investirão nele de maneira igualitária. Desse modo todos teriam o mesmo poder decisório dentro da instituição. Apesar desses esforços, nota-se determinada preponderância da China em outras questões: o interesse dos outros países foi suplantado e dá-se como certa a escolha de Xangai para sediar o banco. A presidência terá mandato rotativo de 5 anos, também entre Brasil, China, Rússia, Índia e Africa do Sul.

O banco de desenvolvimento dos BRICS precisa ser ratificado pelos parlamentos dos países membros, para iniciar suas atividade. Prevê-se que já em 2016 o banco inicie seu funcionamento. Planeja-se , ainda, paralelamente, a criação de um fundo de reservas de US$ 100 bilhões para ser utilizado pelos países membros em caso de crise financeira.

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Algumas notícias:


Paz e Segurança Internacional
Por Cassiano Ribas, João Vitor Domingues e Rudá Schneider

O atual presidente sírio Bashar al-Assad venceu as eleições ocorridas na última terça-feira (03) com mais de 88% dos votos, segundo fontes oficiais do governo, sendo reeleito para um terceiro mandato de sete anos. A porcentagem exorbitante de votos é justificada pelas votações terem sido realizadas apenas em regiões controladas por Damasco, algo em torno de 40% do território, abrigando 60% da população. Em uma eleição marcada pela violência, vários colégios eleitorais foram tomados de assalto e morteiros foram lançados nas regiões votantes, deixando vários mortos. Países e organizações internacionais ocidentais declararam as eleições ilegítimas, críticas estas rebatidas pelo governo sírio como violação de sua soberania nacional. Com a vitória, al-Assad fica estimulado a combater as rebeliões em seu país , marcado por mais de três anos de guerra civil.

Na Ucrânia, a eleição do magnata Petro Poroshenko trouxe uma nova esperança para a unidade territorial ucraniana. No seu discurso de posse ontem (10), disse que a Crimeia “foi, é e será ucraniana”, integridade territorial que será defendida através de um plano de paz. Ainda prometeu ampla anistia aos rebeldes pró-russos e se mostrou disposto a convocar eleições municipais nas regiões rebeldes de Donetsk e Lugansk, em que não houve possibilidade de realização de eleições pelo boicote dos insurgentes. Poroshenko também afirmou que convocará eleições parlamentares antecipadas, mas descartou a federalização do país, como pedem os insurgentes e a Rússia. Em um encontro com o presidente Putin no 70º aniversário do desembarque na Normandia, ambos os líderes decidiram pelo fim dos conflitos no leste ucraniano. Por fim, o novo presidente disse que a Ucrânia irá assinar um Acordo de Associação com a União Europeia, primeiro passo para um possível ingresso na organização, e cuja rejeição foi a causa da queda de Yanukovich em fevereiro.

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Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Marina Arvigo, Thais dos Santos e Thomás Peresi

A proposta de acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia parece não tão certo quanto afirmou Dilma durante a 7ª Cúpula Brasil-União Europeia no final de março, em Bruxelas. Impasses como a insegurança da Argentina e as eleições vencidas majoritariamente pela extrema direita no bloco europeu atrapalharam o andamento do acordo, que no momento está na dependência de uma “solução política”. Além de Dilma, o MRE e o Ministério de Desenvolvimento davam como certo o acordo. No mercado interno, a CNI via como positiva a possibilidade, mas mantinham ressalvas. Uma delas seria a necessidade da redução de barreiras não-tarifárias, regulamentos impeditivos das trocas comerciais e de investimentos. Um empecilho, porém, era o receio quanto ao baixo crescimento do país, a deficiência crônica de competitividade e a invasão dos produtos concorrentes, principalmente chineses. A agropecuária apoiava a negociação.

Quanto ao teor da união comercial, especulava-se que fosse próxima à feita entre UE e Coreia: redução de tarifas conforme a sensibilidade dos produtos, fixação de cotas para a agricultura e acordos de boas intenções em relação aos itens restantes. Os críticos da negociação, entre os quais o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, Alto-Representante Geral do Mercosul, receavam o enfraquecimento da indústria, a perda de autonomia na definição de políticas e a erosão desse importante mercado para os manufaturados brasileiros. Também se falava sobre a limitação das possibilidades de política econômica e desenvolvimento. Quanto aos defensores, admitiam-se efeitos negativos para a indústria (um estudo apontava a possibilidade de perda de 3% do “PIB setorial” em 14 áreas), mas se acreditava na possibilidade de diluição dos efeitos no tempo e esperavam-se ganhos no médio prazo com o aumento das exportações.

No entanto, a Argentina opôs-se a um plano que contava com um cronograma de abertura diferente para cada país do bloco econômico. Buenos Aires temia que seus produtos perdessem espaço no mercado brasileiro para concorrentes europeus. Além disso, no cenário político atual europeu, fala-se nos bastidores em não haver condições políticas para o projeto de aproximação com o Mercosul. Tal impossibilidade seria consequência do período de transição de mandatos e vitória de grupos que defendem abertamente o fim da UE e a saída de seus países do bloco. Ademais, as tentativas dos negociadores têm-se mostrado inconclusivas, tais quais a rodada de debates na Venezuela no início de março, no Uruguai no fim de abril e novamente Venezuela, dessa vez em reunião ordinária do Grupo de Comércio Comum (órgão do Mercosul) em meados de maio. A nova e definitiva rodada de negociações será tentada diretamente pelos presidentes durante reunião da paralela da União das Nações Sul-Americanas em julho na cidade de Fortaleza (CE).

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Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 79

ObservatÛrio da PolÌtica Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (28.04.2014 – XI.05.2014):

Meio Ambiente e Recursos Naturais
Água, adaptação, natureza, mudanças climáticas, energia, EUA, África, Brasil

Direitos Humanos
Nigéria, sequestro, mulheres, igualdade de gênero, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
China, PIB, economia, Paridade de Poder Aquisitivo, potência

Paz e Segurança Internacional
Ucrânia, Donetsk, Lugansk, referendo, Síria, Homs, Sudão do Sul

Terrorismo e Narcotráfico
Lei da maconha, Uruguai, regulamentação, Farc, negociações de paz, Colômbia, sequestro, Nigéria, Boko Haram, Fórum Econômico para a África

Instituições internacionais e cooperação bilateral
Relação Bilateral Brasil-Chile, trocas comerciais, MERCOSUL, Conselho de Segurança da ONU


Meio Ambiente e Recursos Naturais
Por Isabella Aragão

Dentro do Brasil da Copa do Mundo e das manifestações, o clima de insatisfação continua alastrando-se, principalmente ao privar à sociedade de um bem comum tão necessário à vida: a água. A culpa, porém, não pode ser depositada apenas no governo, o qual insiste em não permitir o racionamento de água e “medidas restritivas”, capazes de controlar a situação de escassez de água. Fatores naturais, como as secas do outono e algumas mudanças climáticas, causadas pela intervenção antrópica nos ambientes, surgem para reforçar os desperdícios de água da sociedade e agravar a situação das reservas de água, como o Sistema Cantareira. Composto por seis represas, o sistema, que já encontrava-se em terrível risco ao atingir 10% de sua capacidade, vem diminuindo cada vez mais as suas reservas, diariamente, atingindo 8,9% em sua última medição. As diferenças, em comparação a essa mesma época em outros anos, são assustadoramente perigosas, trazendo uma maior insegurança pela falta de chuvas. O volume morto, utilizado como ultima ratio, já está sendo utilizado, bombeado e canalizado para o consumo da população. Porém, é difícil prever como será a adaptação das pessoas a essas mudanças, pois, além da economia de água, também será cada vez menor sua disponibilidade e capacidade de ser utilizada sem oferecer riscos à saúde e ao meio ambiente, diferentemente da água que provém do volume morto.

Externamente, as adaptações são relativas tanto a alterações genéticas de fato quanto a modificações para oferecer melhores condições de vida ou de sobrevivência. Assim, na Ucrânia, em Chernobyl, foi descoberto por um biólogo da Universidade da Carolina do Sul, Timothy Mousseau, que algumas espécies da natureza (como determinados pássaros) parecem ter se adaptado ao ambiente radioativo próximo ao local do acidente nuclear da usina de Chernobyl, criando uma proteção a danos genéticos e mostrando-se mais aptos à sobrevivência, numa visão determinista e essencialmente darwinista. O estudo dos efeitos nos animais e insetos pode ajudar a compreender melhor o impacto sobre os seres humanos, possibilitando novas chances de convivência com o material radioativo sem o perigo de doenças ou morte por contaminação. Os estudos, porém, ainda não determinaram se essas espécies “mais aptas” estão realmente se desenvolvendo, num processo de evolução, ou se possuem dispositivos próprios de defesa contra radiação.

Em matéria de adaptação ao meio ambiente, também pode-se mencionar as mudanças climáticas e a expansão de energia elétrica para países subdesenvolvidos. As alterações no clima mundial, provocadas principalmente pela intervenção do ser humano na natureza, tendem a modificar todas as estruturas básicas mundiais, afetando ecossistemas e interferindo no equilíbrio ambiental já estabelecido. Porém, essas mudanças são inevitáveis, restando apenas a nossa adaptação às situações naturalmente impostas. Em Fortaleza, por exemplo, entre os dias 12 e 16 de maio, realizar-se-á um evento internacional, envolvendo 15 países, com o objetivo de explorar métodos para diminuir os impactos das mudanças climáticas no globo. Essa atitude, ainda que não sendo generalizada, é capaz de lançar ideias não para frear essa vulnerabilidade frenética do planeta Terra, mas para lidar com ela, adaptando-nos sem mais explorá-la para adaptá-la às nossas necessidades.

A ajuda mútua entre países também possibilitará uma sobrevivência que contribua para o bem-estar geral. Um projeto dos EUA direcionado à África subsaariana, noticiado em 09/05, é um exemplo de como o compartilhamento de bens essenciais ao conforto humano – como a energia, no caso – pode ajudar os povos subdesenvolvidos a adaptarem-se aos novos tempos. O projeto americano, aprovado pela Câmara de Representantes do EUA e aguardando aprovação do Senado, visa instalar 20.000 Megawatts de capacidade energética na África subsaariana até 2020, de forma a assegurar a pelo menos 50 milhões de africanos acesso à energia elétrica, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Essa medida, mutuamente benéfica, ajudaria no acesso ao conforto e na estratégia norte-americana de investimento em áreas de mercado em crescimento. A verdade é que o egoísmo da seleção natural não leva, realmente, a uma evolução, mas talvez a um retrocesso em matéria moral. A adaptação e o desenvolvimento dependem, portanto, de solidariedade e conscientização, para que a sobrevivência seja vista como um direito inerente a qualquer criatura, e não uma vantagem apenas dos mais fortes. Para a evolução internacional, é fundamental a evolução dos valores humanos, para que todos fortaleçam-se juntos.

Algumas notícias:


Direitos Humanos
Por Lucas Abdo, Paulo Guedes e Raquel Oliveira

Nigerians rally for missing schoolgirlsMais de 200 meninas nigerianas foram sequestradas por um grupo terrorista islâmico denominado Boko Haram. O local do sequestro foi a própria escola onde elas estudam, o que faz total sentido, uma vez a tradução do nome Boko Haram é “educação ocidental é pecado”. A situação é intensificada pela declaração de um homem que se diz líder desse grupo terrorista. Dentre outras coisas, ele fala que irá vender as meninas sequestradas em um mercado, que a educação ocidental deveria acabar e que mulheres devem se casar ao invés de frequentarem escolas.

A população da Nigéria tem protestado constantemente nas últimas semanas e acusa o governo de não tomar as medidas necessárias para salvar as meninas sequestradas. O governo nigeriano alega que continua procurando as garotas. Fato que merece destaque, no entanto, é que a Nigéria ratificou o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e este protege direitos humanos como, para citar apenas os mais intimamente ligados ao caso em questão, o direito à liberdade, o direito à liberdade de expressão, o direito à autonomia do indivíduo contra interferências indevidas de terceiros, entre outros. Em suma, esse Pacto visa proteger a dignidade da pessoa humana. Ora, se o Estado Nigeriano ratificou tal tratado, é obrigação do mesmo garantir todos os direitos que foram citados acima, sob pena de ser acusado de violação de direitos humanos caso não tenha sucesso nessa garantia.

A comunidade internacional já começou a agir. Estados Unidos, por exemplo, cogita utilizar “drones” para monitorar a movimentação/comunicação desse grupo terrorista e, com as informações obtidas, derrotá-lo.

Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Fernanda Botti e Danilo Domingues Guimaraes

A pesquisa do Programa de Comparação Internacional (ICP), coordenada pelo Banco Mundial, demonstrou, segundo o critério de Paridade de Poder Aquisitivo (PPP), que a China poderá ultrapassar os EUA ainda em 2014, tornando-se a maior economia mundial. A nova metodologia estima o PIB com relação a custo de produtos e serviços nos países, como se todos os países tivessem a mesma moeda, evitando assim que a base comparativa seja em taxas de câmbio – instável e em que se pesa a força da moeda. Desse modo, o PPP foi reconhecido como a melhor forma de se comparar as economias dos países.

De acordo com os dados levantados pelo ICP, embasados no PPP, o PIB chinês em 2011 já representava 87% do norte americano. Segundo cálculos do FMI, o crescimento econômico da China seria de 24% entre 2011 e 2014, contra 7,6% dos Estados Unidos no mesmo período. Logo, é provável que nesse ano o gigante Asiático ultrapasse os EUA, líderes da economia mundial desde 1872. Isso contradiz previsões de especialistas em que a China seria a maior economia mundial apenas em 2019. Apesar da marca histórica, a mídia chinesa, altamente censurada pelo governo, pouco enfatizou os resultados exibidos pelo Banco Mundial. O não endossamento da pesquisa como oficial mostra a cautela do país em relação às implicações que a posição de líder econômico mundial pode trazer no cenário internacional. Além disso, em termos de renda per capita, a China ainda é um país com indicadores baixos.

Mesmo atingindo a posição de maior potência econômica, a China, ainda que contando com grande influência global, não possui o mesmo poderio que os EUA. Suas taxas de importação são menores, assim como a força de seu sistema financeiro, seu gasto no setor tecnológico, a aceitação de sua cultura e seu poderio militar. Vê-se que apesar da liderança em termos de indicadores econômicos, o país ainda não atingiu o patamar de potência hegemônica.

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Algumas notícias:


Paz e Segurança Internacional
Por Cassiano Ribas, João Vitor Domingues e Rudá Schneider

Permanece elevada a tensão na Ucrânia. No último domingo, 11 de maio, foram realizados referendos nas cidades de Donetsk e Lugansk, questionando a população local acerca da “proclamação de autonomia estatal” dessas regiões do leste ucraniano. A votação, que deve ratificar a opção separatista, foi organizada pelas autoridades pró-Rússia da região, e é considerada ilegítima por Kiev e pelas potências ocidentais. Em Slaviansk, voltaram a ocorrer confrontos entre forças ucranianas e grupos pró-Rússia.

Na Síria, as forças rebeldes retiraram-se, na última semana, do centro histórico de Homs, até então um dos mais importantes redutos insurgentes do país. O processo de retirada foi realizado mediante um acordo entre os rebeldes e as forças leais ao governo. As eleições presidenciais ocorrem em algumas semanas, e devem reeleger Bashar al-Assad.

No Sudão do Sul, o cessar-fogo entre as forças governamentais e os rebeldes durou pouco mais de um dia. Novos confrontos ocorreram no país neste domingo, menos de 48 horas depois que o presidente, Salva Kiir Mayardit, e o líder dos insurgentes, Riek Machar, firmaram a trégua. O conflito já provocou o deslocamento de mais de 1,3 milhão de pessoas no país e é grande o risco de fome em massa caso os moradores não possam retornar para suas terras até a época da lavoura.

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Combate ao Terrorismo e ao Narcotráfico
Por Giovana Nakano

Neste período, é pertinente destacar dois pontos referentes ao combate ao narcotráfico. O primeiro diz respeito a regulamentação uruguaia, assinada no dia 5 de maio, a qual cria o primeiro mercado legal de maconha no mundo. A lei, além de regulamentar o consumo, permite o cultivo em casas, cria clubes canábicos e estabelece multas e penalidades para descumprimentos da norma. Segundo o secretário da presidência, Diego Cánepa, espera-se, no primeiro ano, uma diminuição no mercado ilegal “não só por motivos de preço, mas pela qualidade e segurança” que serão oferecidas. Na mesma linha de pensamento, tem-se o depoimento do vice-presidente Danilo Astori, uma semana antes da assinatura da lei: “Não se trata de legalização da droga, mas de regularizar o consumo. Até agora, os métodos repressivos não tiveram resultado. Isso (a lei) pode diminuir a margem do narcotráfico”.

O segundo ponto, diz respeito às Farc. O grupo rejeita as acusações estadunidenses de envolvimento direto no narcotráfico, feitas no relatório sobre terrorismo divulgado 30 de maio. “A única coisa que fazemos é cobrar um imposto aos grandes capitais que circulam nas regiões em que atuamos”, afirma a guerrilha. Apesar de não reconhecer a participação no narcotráfico, a Farc entende que o fenômeno é uma realidade no país e declara, na fala de Andrés Páris, um dos negociadores da guerrilha com o governo colombiano, que “o narcotráfico só será resolvido quando todos os países, mundialmente, dialogarem e buscarem uma solução comum. Só quando os países poderosos assumirem suas responsabilidades”. Da mesma forma, Fidel Rondón, um dos representantes em Cuba, lembra que “o império das drogas não sobreviveria sem apoio de capitais e setores do poder mundial”.

Outro fato a ser destacado a respeito das Farc, é que, segundo os representantes da guerrilha, após o final da 24° rodada de negociações de paz, o grupo e o governo colombiano estão próximos de um acordo sobre o terceiro dentre os seis temas em negociação, “como agir em relação ao narcotráfico”. Até o dia 12, quando o diálogo será retomado para uma possível resolução definitiva, ambas as partes realizarão consultas separadamente a fim de analisar os pontos em discussão. As delegações também convidam “todos os cidadãos e organizações sociais a participar com as suas propostas sobre a agenda de conversações através do seu site ou através dos governos e das prefeituras do país”.

Quanto a questão do terrorismo, tem-se a declaração do presidente nigeriano Goodluck Jonathan, na primeira sessão plenária do Fórum Econômico para a África, sobre o sequestro, na Nigéria, de 276 garotas pelo grupo muçulmano fundamentalista Boko Haram. Jonathan afirma ser o “início do fim do terrorismo” islamita. O presidente agradeceu a vinda dos representantes dos países a capital nigeriana. “Se os senhores tivessem se negado a vir, os terroristas teriam comemorado e teriam provocado mais caos”, acrescentou. Também agradeceu o apoio por parte dos EUA, França, China e Reino Unido, os quais ofereceram participar da operação para libertar as adolescentes, e a campanha mundial a favor do resgate é cada vez mais intensa.


Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Marina Arvigo, Thais dos Santos e Thomás Peresi

 

No tocante à evolução das ações brasileiras para a consecução de maior preponderância no cenário internacional, destaca-se, nas últimas semanas, o encontro realizado, em 6 de maio de 2014, entre o Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, e o chanceler chileno, Heraldo Muñoz. O representante máximo da diplomacia brasileira foi à Santiago, com vistas à discussão da relação bilateral Brasil-Chile e também à participação no debate “O Diálogo Atlântico-Pacífico e Oportunidades de Comércio e Investimento na América Latina”, realizado no contexto do II Conselho Consultivo Empresarial da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

As perspectivas de maior integração solidificam-se em diversas áreas como, por exemplo, integração física, ciência e tecnologia, energia, direitos humanos e economia. Com relação às relações comerciais entre os dois países, há de se ressaltar o fato de que, nos últimos cinco anos, as trocas aumentaram em torno de 65% – chegando a relevante cifra de US$ 8,8 bilhões, em 2013. Ademais, houve uma evolução nos investimentos chilenos em território nacional : se em 2012, o Brasil era a segunda nação na qual existia maior aplicação de capital do Chile – US$ 12 bilhões -, hoje, somos o principal destino do empreendedorismo daquele país, com um valor que chega a US$ 24,6 bilhões, proporcionando a criação de aproximadamente 100 mil empregos em terras brasileiras.

É de se notar, inclusive, o convite, feito pelo chanceler Heraldo Muñoz, ao Brasil, para que designasse um diplomata a integrar a equipe diplomática chilena que representará o Chile no mandato de dois anos do país no Conselho de Segurança da ONU – órgão no qual nosso país almeja possuir assento permanente. A importância do estreitamento de relações com o Chile é de suma relevância não somente para interesses particularmente nacionais, mas também no relacionado ao MERCOSUL. Segundo fontes governamentais, em 2013, o valor das trocas comerciais entre os países do Mercado Comum do Sul e o Chile somou US$ 16,6 bilhões – enquanto o comércio do Chile com a Aliança do Pacífico chegou ao valor de US$10,1 bilhões, no mesmo período.

Desta maneira, constata-se que a atitude brasileira de estreitar relações com diversas outras nações é de extrema importância para trazer maior visibilidade para o Brasil, no cenário internacional – desenvolvendo-se sempre com respeito aos ditames constitucionais que regem a política externa, insculpidos no artigo 4º da Constituição Federal de 1988.

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Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 75

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (16.05.2013 – 22.05.2013):

Direitos Humanos
Tortura; ONU; Comissão Interamericana de Direitos Humanos; CIDH

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
OMC; Roberto Azevêdo; Antonio Patriota; México; Rodada de Doha

Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Antônio Patriota; EUA; Mercosul; Aliança do Pacífico; Dilma Rousseff


Direitos Humanos
Por Maria Luciano e Marina Luna

Mais de seis anos após a entrada em vigor no Brasil do protocolo facultativo à Convenção de Combate à Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU) – cuja ratificação representa o compromisso brasileiro com a construção de uma política nacional para a erradicação da tortura -, apenas 16 estados criaram, formalmente, seus próprios comitês de prevenção a esse tipo de crime. As demais 11 unidades da Federação ainda não contam com esse tipo de mecanismo de prevenção e combate à tortura. Os comitês e outros mecanismos estaduais atendem às disposições do Protocolo, aprovado pelo Congresso Nacional, em 2006, e promulgado na forma de decreto-lei em 2007.

Quanto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da qual o Brasil faz parte, em mais um capítulo na tentativa de diminuir a influência dos Estados Unidos, a declaração final da reunião dos países signatários do Convenção Americana de Direitos Humanos (também conhecido como Pacto de San José) pediu que a sede da Comissão seja retirada da capital americana. Os Estados Unidos nunca ratificaram o Pacto de San José, apesar de manter uma influência considerável na Comissão.

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Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Alba Araújo e Caique César

Para o novo diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, a retirada do protecionismo deve ser lenta. O embaixador afirmou na última sexta-feira (17) que o protecionismo mundial cresceu a partir de 2008, com a crise iniciada nos Estados Unidos, e que a maior parte das medidas protecionistas criadas na época permanece até hoje. Segundo Azevêdo, a tendência é de um movimento de liberalização comercial mundial, mas que deverá ocorrer de forma lenta, não abrupta.

Em relação às medidas restritivas adotadas pelo Brasil nos últimos anos, Azevêdo afirmou que é dever do diretor-geral da OMC se preocupar com “o caminho que o mundo está tomando”, e que “o diretor-geral não está lá para apontar o dedo, tem que se preocupar com as tendências mundiais”.

Segundo Azevêdo, o seu maior desafio será a retomada da Rodada de Doha. Em dezembro, ocorrerá uma reunião ministerial em Bali para discutir o assunto e seu tempo de negociação será pequeno. Azevêdo assume a OMC em setembro. “Precisamos esquecer o que gostaríamos de ter na rodada, para ver o que é possível ter na rodada”, afirmou. A postura cautelosa do embaixador é explicada pela dificuldade no desenvolvimento das negociações da rodada, em um momento delicado e marcado pelo pessimismo em uma possível reversão da situação. “O difícil não é trazer as pessoas à mesa, mas trazer as pessoas com espírito construtivo, abandonando as posições cristalizadas”, disse.

Ainda no dia 17, o Secretário de Relações Exteriores, José Antonio Meade Kuribreña, realizou visita de trabalho a Brasília, onde manteve encontro com o Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Antonio Patriota. Os chanceleres reiteraram o interesse em trabalhar conjuntamente em matéria de cooperação energética, para que a Pemex e a Petrobrás ampliem seus sistemas de intercâmbio de informações, experiências e centros de treinamento. Declararam que há interesse em dinamizar as relações comerciais entre Brasil e México, que atualmente movimentam US$ 10 bilhões por ano. Concordaram também em esforços para a concretização de projetos de cooperação no setor agroindustrial.

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Algumas notícias:


Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Henry Suzuki e Priscila Pires

Patriota e Kerry trataram, entre outros temas, da primeira visita de Estado da presidenta Dilma Rousseff ao país, provavelmente em outubro (Fonte: Agência Brasil)

Nesta semana o Ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, reuniu-se com o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para discutir o panorama da economia global. Na pauta, entre outros assuntos, temas relacionados ao G-20, aos rumos do Mercosul e à colaboração energética entre os dois Estados: segundo Patriota, há interesse brasileiro na tecnologia norte-americana de exploração de gás xisto.

Após o encontro, o chanceler brasileiro anunciou uma visita de Estado da Presidente Dilma Rousseff a Washington em outubro – a primeira de um presidente brasileiro desde 1995. A visita da presidente brasileira sinaliza um desejo de engajamento maior dos Estados Unidos em relação ao Brasil, afirma Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Woodrow Wilson International Center, em entrevista à BBC Brasil.

Ainda nesta semana a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal decidiu convidar os ministros das Relações Exteriores, Antônio Patriota, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para participar de uma audiência pública. A CRE pretende debater os rumos do Mercosul no cenário internacional, tendo em vista a formação do bloco comercial Aliança do Pacífico. Para o senador do PMDB-RS Pedro Simon, a ideia é analisar os reflexos desta integração sobre o Mercosul.

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Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 73

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (02.04.2013 – 08.05.2013):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
PNUD, desigualdade, América Latina

Comércio Internacional, OMC e Sistema Financeiro Internacional
OMC, Roberto Azevêdo, Rodada de Doha

Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Mercosul, Venezuela, Nicolás Maduro, Equador


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Camila Schipper e Mateus Rabelo

(Fonte: Daniel Zanini, Jean Marconi, Edson Franco, Valter Campanato e Wilson Dias)

No relatório o Protesto Social na América Latina, o PNUD revelou que a maior parte das tensões sociais, institucionais e culturais tem relação direta com as maiores desigualdades socioeconômicas e com a incapacidade dos governos em administrar tais perturbações nos países da América Latina. Isto pode ser constatado no caso de Peru, Bolívia e Argentina com o maior número de protestos sociais, dentre os 2.300 protestos examinados entre 2009 e setembro de 2010.

Haroldo Munoz, subsecretário-geral da ONU e diretor regional do PNUD para América Latina e Caribe destaca a importancia desses protestos inseridos em democracias, os quais podem ser uma ferramenta construtiva das demandas sociais, se gerados através do diálogo e da negocaiação. Apesar de haverem casos de rupturas institucionais, como o golpe de Estado em Honduras, em junho de 2009.

Outro ponto considerado pelo relatório remete à ampliação do acesso à tecnologia na região, o que contribui para a participação cidadã, cujgas demandas versam sobre questões de trabalho, saúde, educação, direitos humanos e questões ambientais, como o controle dos recursos naturais.

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Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Alba Araújo e Caique César

Roberto Azevêdo em coletiva na Representação permanente do Brasil na OMC (Fonte: VALENTIN FLAURAUD/REUTERS)
No dia 7, Roberto Azevêdo foi escolhido para ser o próximo diretor-geral da OMC. Azevêdo não só recebeu o maior número de votos como também o apoio de países de todas as regiões e diferentes níveis de renda, superando o candidato mexicano Hermínio Blanco, que possuía o apoio dos EUA e Europa. A decisão foi chancelada pelo Conselho de Entidades no dia seguinte. Azevêdo assumirá em setembro, substituindo o francês Pascal Lamy.No Itamaraty, a vitória foi comemorada como símbolo do posicionamento do país em posições de liderança mundial, ainda que a OMC enfrente problemas. A vitória indica que o Brasil não só é o líder dos países emergentes, como também é uma potência capaz de representar e atender aos interesses inclusive de países desenvolvidos.

Dilma Rousseff divulgou nota parabenizando o novo diretor-geral, comunicando que o governo brasileiro recebe com “satisfação” a escolha do embaixador. Segundo Dilma, caberá à OMC “dar um novo, equilibrado e vigoroso impulso ao comércio mundial, fundamental para que a economia global entre em novo período de crescimento e justiça social”.

 

O ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, afirmou que o Itamaraty trabalhou intensamente pela candidatura do brasileiro. Patriota disse que um dos aspectos mais importantes da candidatura foi o apoio recebido de países de todas as partes do mundo. Acredita-se que a eleição de Azevêdo seja capaz de destravar as negociações da Rodada de Doha, que se estende há quase 10 anos, iniciada no Qatar, em novembro de 2001, durante a IV Conferência Ministerial da OMC. A rodada propôs a abertura de mercados agrícolas e industriais com regras que favoreçam a ampliação dos fluxos de comércio dos países em desenvolvimento.

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Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Henry Suzuki e Priscila Pires

O Equador anunciou formalmente nesta semana que pretende aderir ao Mercosul. O protocolo de adesão deverá ser assinado na próxima reunião do bloco, que ocorre em julho, no Uruguai. A inclusão dependerá da aprovação pelos Parlamentos dos membros atuais. O Equador tem negociado o ingresso no bloco, juntamente com a Bolívia, desde 2009. Na última reunião do Mercosul, em dezembro, o presidente Rafael Correa afirmou que seu governo tem “coincidências ideológicas” com os membros do bloco. No entanto, o país apresenta algumas dificuldades: a política alfandegária é uma delas. A perspectiva para o Mercosul é de mudanças. Recentemente o Paraguai elegeu um novo presidente e o país deve ser reincorporado ao grupo. Além disso, no segundo semestre a presidência do grupo passará para a Venezuela, que foi incorporada ao Mercosul logo após a suspensão do Paraguai.
Após declaração à imprensa, Maduro presenteia Dilma retrato do ex-presidente Hugo Chávez, no Palácio do Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

Aliás, nesta semana o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está em viagem por três países do Mercosul: o Brasil, a Argentina e o Uruguai. O objetivo da viagem é “ratificar o caminho da integração profunda com Uruguai, Argentina e Brasil, e para seguir completando a equação perfeita da integração energética, financeira, social, cultural e política”, disse Maduro, segundo informações da ANSA.

A visita do presidente venezuelano ao Brasil se iniciou na quinta-feira, 09, quando se reuniu com a presidente Dilma Rousseff. Em Montevidéu, Maduro disse que a entrada da Venezuela no Mercosul dará “mais dinamismo” ao bloco. Enquanto isso, a oposição se mantém questionando a legitimidade da eleição de Maduro. No último dia 07, lideranças da oposição entregaram ao Tribunal Supremo de Justiça mais uma ação de impugnação das eleições presidenciais ocorridas em 14 de abril.

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Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 72

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (25.04.2013 – 01.05.2013):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Mali; Crise alimentar; Instabilidade; Segurança

Comércio Internacional, OMC e Sistema Financeiro Internacional
OMC; Azevêdo; BRICS; México; Blanco; Argentina; Bolívia; Mercosul

Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
OMC; Azevêdo; Maduro; Cuba; Enrico Letta; Itália


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Camila Schipper e Mateus Rabelo

Família de refugiados do Mali em campo no Níger.

Três meses após a expulsão de rebeldes islâmicos do país, o Mali sofre de escassez de alimentos, aumento do preço de tais bens e uma crescente insegurança em todo o país. Com relação à segurança alimentar, uma em cada cinco casas sofre restrições na provisão de alimento. Mesmo após a expulsão dos rebeldes, lojas ainda permanecem fechadas em Timbuktu, o que também ocorre com algumas ONGs atuantes na região. Segundo Codé Cissé, diretor da ONG Intersos, “as organizações não-governamentais proviam comida, criavam empregos para a população local. Como irrigação é a base da agricultura, são as ONGs que forneciam sementes, fertilizantes, instrumentos. Desta forma temos um aumento da pobreza na região”. A Oxfam reitera o agravamento da situação de segurança no país, visão que destoa do diagnóstico da maior parte dos doadores internacionais que, entendendo ter havido melhora na situação do país, reduziram a ajuda financeira. Por exemplo, o UNICEF afirmou precisar 82 milhões de dólares para atender às necessidade de emergência às crianças, tendo recebido apenas 25% do total.

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Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Alba Araújo e Caique César

Nesta semana definiram-se os dois nomes a integrarem a etapa final rumo à chefia da Organização Mundial do Comércio. No dia 25, foi revelado que o brasileiro Roberto Azevedo disputará com o mexicano Hermínio Blanco o posto principal do órgâo, cuja reforma é essencial frente ao truculento panorama econômico no qual se vislumbra um claro embate acontece entre a urgência pela liberalização dos mercados e a necessidade de proteção dos países em desenvolvimento.

Blanco, apesar de ter se afastado das negociações pós-Doha para atuar no setor privado, é visto como um candidato experiente e tradicional. Conservador em seu estilo, é atrativo para os países dominantes no cenário atual que vêem o panorama do comércio internacional como desestimulante, graças às barreiras protecionistas estipuladas pelos países do sul. Azevêdo tem nas bases de seu grupo de apoio os BRICS e outros representantes do mundo emergente, que por serem economias crescentes se beneficiam de um cenário onde possam empregar taxas alfandegárias e outras formas de subsídios com mais liberdade. Ainda assim, o candidato brasileiro não representa necessariamente uma ameaça aos mais liberais, visto que sua atuação recente como embaixador brasileiro junto à OMC tornou-o experiente em articulações práticas das relações Norte-Sul, compensando o fato de não ter sido ministro do desenvolvimento, como seu concorrente. O selecionado para a cedeira deverá ser anunciado até o final do mês de maio.

Presidenta Dilma Rousseff durante visita oficial à República da Argentina Buenos Aires - Argentina, 25/04/2013 Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Também esta semana, a presidenta Dilma Rousseff viajou a Buenos Aires para discutir com Cristina Kirchner encaminhamentos cruciais na relação bilateral Brasil-Argentina. Durante a visita, Dilma falou em tom amistoso sobre cooperação e união entre os dois países, que vivem momentos delicados em suas relações comerciais com o anúncio da saída da Vale de território argentino e com o medo das demissões em massa deste processo. O diálogo se estendeu além dessa questão para assuntos como financiamento a projetos de usinas energéticas argentinas e empecilhos fiscais a certos setores como o de carne suína brasileira e o de camarões argentinos. A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e o principal destino das exportações nacionais de manufaturas, além de sócio principal do Mercosul, razões pelas quais é imprescindível que os dois países mantenham suas relações saudáveis e evitem conflitos comerciais.

Sobre o Mercosul, A Bolívia iniciou esta semana reuniões para decidir os termos do país para a adesão como membro pleno do bloco. As reuniões para “traçar linhas de trabalho e promover encontros empresariais” são uma das etapas finais do processo que tornaria a Bolívia o sexto membro do grupo junto com Uruguai, Brasil, Argentina, Venezuela e Paraguai (este suspenso temporariamente). A integralização vêm ocorrendo desde o tratado assinado em Dezembro por Evo Morales e a participação da Bolívia como Estado associado ao Mercosul, desde 1997.

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Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Henry Suzuki e Priscila Pires

O brasileiro Roberto Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco são os finalistas na disputa da OMC  Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/brasileiro-roberto-azevedo-vai-para-final-na-acirrada-disputa-pela-chefia-da-omc-8210258#ixzz2SFRH4rvd  © 1996 - 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização (Fonte: O Globo)

Na última sexta-feira (26), a OMC confirmou oficialmente a disputa pelo cargo de diretor da organização entre o brasileiro Roberto Azevêdo e o mexicano Hermínio Blanco. O brasileiro possui o apoio da maioria dos países emergentes, enquanto que o mexicano é sustentado pelos países desenvolvidos. O nome escolhido será divulgado nos próximos dias.

No dia 27, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, realizou sua primeira visita de Estado ao ir para Cuba. Maduro, que ainda enfrenta questionamentos sobre a sua legitimidade no cargo após a vitória acirrada, reafirmou a aliança entre os dois países. Além disso, ambos os governos assinaram acordos de cooperação para dar continuidade ao intenso intercâmbio econômico entre Venezuela e Cuba, que se iniciou com Chávez.

Enrico Letta assumiu o cargo de primeiro-ministro da Itália no domingo (28). Após dois meses de grave impasse político desde as eleições parlamentares ocorridas nos dias 24 e 25 de fevereiro último, o presidente Giorgio Napolitano conseguiu um nome aceito pelos principais partidos políticos italianos. Enrico Letta é o segundo nome do Partido Democrático (PD), partido este que conseguiu a maioria na Câmara dos Deputados, mas que não obteve desempenho semelhante no Senado. O fato de o PD não ter conseguido a maioria das cadeiras na Câmara Alta impossibilitou, devido ao sistema parlamentarista do país, a formação de um governo sem coalização com os outros partidos (principalmente com o PDL de Berlusconi e o M5S de Beppe Grillo). As tentativas de formação de um governo de coalização vinham falhando até agora. O novo primeiro-ministro italiano tem o desafio de tirar a terceira maior economia da zona do Euro da recessão, além de buscar o retorno da confiança do povo italiano no governo, que foi abalada por diversos escândalos de corrupção.

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