Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 79

ObservatÛrio da PolÌtica Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (28.04.2014 – XI.05.2014):

Meio Ambiente e Recursos Naturais
Água, adaptação, natureza, mudanças climáticas, energia, EUA, África, Brasil

Direitos Humanos
Nigéria, sequestro, mulheres, igualdade de gênero, Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
China, PIB, economia, Paridade de Poder Aquisitivo, potência

Paz e Segurança Internacional
Ucrânia, Donetsk, Lugansk, referendo, Síria, Homs, Sudão do Sul

Terrorismo e Narcotráfico
Lei da maconha, Uruguai, regulamentação, Farc, negociações de paz, Colômbia, sequestro, Nigéria, Boko Haram, Fórum Econômico para a África

Instituições internacionais e cooperação bilateral
Relação Bilateral Brasil-Chile, trocas comerciais, MERCOSUL, Conselho de Segurança da ONU


Meio Ambiente e Recursos Naturais
Por Isabella Aragão

Dentro do Brasil da Copa do Mundo e das manifestações, o clima de insatisfação continua alastrando-se, principalmente ao privar à sociedade de um bem comum tão necessário à vida: a água. A culpa, porém, não pode ser depositada apenas no governo, o qual insiste em não permitir o racionamento de água e “medidas restritivas”, capazes de controlar a situação de escassez de água. Fatores naturais, como as secas do outono e algumas mudanças climáticas, causadas pela intervenção antrópica nos ambientes, surgem para reforçar os desperdícios de água da sociedade e agravar a situação das reservas de água, como o Sistema Cantareira. Composto por seis represas, o sistema, que já encontrava-se em terrível risco ao atingir 10% de sua capacidade, vem diminuindo cada vez mais as suas reservas, diariamente, atingindo 8,9% em sua última medição. As diferenças, em comparação a essa mesma época em outros anos, são assustadoramente perigosas, trazendo uma maior insegurança pela falta de chuvas. O volume morto, utilizado como ultima ratio, já está sendo utilizado, bombeado e canalizado para o consumo da população. Porém, é difícil prever como será a adaptação das pessoas a essas mudanças, pois, além da economia de água, também será cada vez menor sua disponibilidade e capacidade de ser utilizada sem oferecer riscos à saúde e ao meio ambiente, diferentemente da água que provém do volume morto.

Externamente, as adaptações são relativas tanto a alterações genéticas de fato quanto a modificações para oferecer melhores condições de vida ou de sobrevivência. Assim, na Ucrânia, em Chernobyl, foi descoberto por um biólogo da Universidade da Carolina do Sul, Timothy Mousseau, que algumas espécies da natureza (como determinados pássaros) parecem ter se adaptado ao ambiente radioativo próximo ao local do acidente nuclear da usina de Chernobyl, criando uma proteção a danos genéticos e mostrando-se mais aptos à sobrevivência, numa visão determinista e essencialmente darwinista. O estudo dos efeitos nos animais e insetos pode ajudar a compreender melhor o impacto sobre os seres humanos, possibilitando novas chances de convivência com o material radioativo sem o perigo de doenças ou morte por contaminação. Os estudos, porém, ainda não determinaram se essas espécies “mais aptas” estão realmente se desenvolvendo, num processo de evolução, ou se possuem dispositivos próprios de defesa contra radiação.

Em matéria de adaptação ao meio ambiente, também pode-se mencionar as mudanças climáticas e a expansão de energia elétrica para países subdesenvolvidos. As alterações no clima mundial, provocadas principalmente pela intervenção do ser humano na natureza, tendem a modificar todas as estruturas básicas mundiais, afetando ecossistemas e interferindo no equilíbrio ambiental já estabelecido. Porém, essas mudanças são inevitáveis, restando apenas a nossa adaptação às situações naturalmente impostas. Em Fortaleza, por exemplo, entre os dias 12 e 16 de maio, realizar-se-á um evento internacional, envolvendo 15 países, com o objetivo de explorar métodos para diminuir os impactos das mudanças climáticas no globo. Essa atitude, ainda que não sendo generalizada, é capaz de lançar ideias não para frear essa vulnerabilidade frenética do planeta Terra, mas para lidar com ela, adaptando-nos sem mais explorá-la para adaptá-la às nossas necessidades.

A ajuda mútua entre países também possibilitará uma sobrevivência que contribua para o bem-estar geral. Um projeto dos EUA direcionado à África subsaariana, noticiado em 09/05, é um exemplo de como o compartilhamento de bens essenciais ao conforto humano – como a energia, no caso – pode ajudar os povos subdesenvolvidos a adaptarem-se aos novos tempos. O projeto americano, aprovado pela Câmara de Representantes do EUA e aguardando aprovação do Senado, visa instalar 20.000 Megawatts de capacidade energética na África subsaariana até 2020, de forma a assegurar a pelo menos 50 milhões de africanos acesso à energia elétrica, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Essa medida, mutuamente benéfica, ajudaria no acesso ao conforto e na estratégia norte-americana de investimento em áreas de mercado em crescimento. A verdade é que o egoísmo da seleção natural não leva, realmente, a uma evolução, mas talvez a um retrocesso em matéria moral. A adaptação e o desenvolvimento dependem, portanto, de solidariedade e conscientização, para que a sobrevivência seja vista como um direito inerente a qualquer criatura, e não uma vantagem apenas dos mais fortes. Para a evolução internacional, é fundamental a evolução dos valores humanos, para que todos fortaleçam-se juntos.

Algumas notícias:


Direitos Humanos
Por Lucas Abdo, Paulo Guedes e Raquel Oliveira

Nigerians rally for missing schoolgirlsMais de 200 meninas nigerianas foram sequestradas por um grupo terrorista islâmico denominado Boko Haram. O local do sequestro foi a própria escola onde elas estudam, o que faz total sentido, uma vez a tradução do nome Boko Haram é “educação ocidental é pecado”. A situação é intensificada pela declaração de um homem que se diz líder desse grupo terrorista. Dentre outras coisas, ele fala que irá vender as meninas sequestradas em um mercado, que a educação ocidental deveria acabar e que mulheres devem se casar ao invés de frequentarem escolas.

A população da Nigéria tem protestado constantemente nas últimas semanas e acusa o governo de não tomar as medidas necessárias para salvar as meninas sequestradas. O governo nigeriano alega que continua procurando as garotas. Fato que merece destaque, no entanto, é que a Nigéria ratificou o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e este protege direitos humanos como, para citar apenas os mais intimamente ligados ao caso em questão, o direito à liberdade, o direito à liberdade de expressão, o direito à autonomia do indivíduo contra interferências indevidas de terceiros, entre outros. Em suma, esse Pacto visa proteger a dignidade da pessoa humana. Ora, se o Estado Nigeriano ratificou tal tratado, é obrigação do mesmo garantir todos os direitos que foram citados acima, sob pena de ser acusado de violação de direitos humanos caso não tenha sucesso nessa garantia.

A comunidade internacional já começou a agir. Estados Unidos, por exemplo, cogita utilizar “drones” para monitorar a movimentação/comunicação desse grupo terrorista e, com as informações obtidas, derrotá-lo.

Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por Fernanda Botti e Danilo Domingues Guimaraes

A pesquisa do Programa de Comparação Internacional (ICP), coordenada pelo Banco Mundial, demonstrou, segundo o critério de Paridade de Poder Aquisitivo (PPP), que a China poderá ultrapassar os EUA ainda em 2014, tornando-se a maior economia mundial. A nova metodologia estima o PIB com relação a custo de produtos e serviços nos países, como se todos os países tivessem a mesma moeda, evitando assim que a base comparativa seja em taxas de câmbio – instável e em que se pesa a força da moeda. Desse modo, o PPP foi reconhecido como a melhor forma de se comparar as economias dos países.

De acordo com os dados levantados pelo ICP, embasados no PPP, o PIB chinês em 2011 já representava 87% do norte americano. Segundo cálculos do FMI, o crescimento econômico da China seria de 24% entre 2011 e 2014, contra 7,6% dos Estados Unidos no mesmo período. Logo, é provável que nesse ano o gigante Asiático ultrapasse os EUA, líderes da economia mundial desde 1872. Isso contradiz previsões de especialistas em que a China seria a maior economia mundial apenas em 2019. Apesar da marca histórica, a mídia chinesa, altamente censurada pelo governo, pouco enfatizou os resultados exibidos pelo Banco Mundial. O não endossamento da pesquisa como oficial mostra a cautela do país em relação às implicações que a posição de líder econômico mundial pode trazer no cenário internacional. Além disso, em termos de renda per capita, a China ainda é um país com indicadores baixos.

Mesmo atingindo a posição de maior potência econômica, a China, ainda que contando com grande influência global, não possui o mesmo poderio que os EUA. Suas taxas de importação são menores, assim como a força de seu sistema financeiro, seu gasto no setor tecnológico, a aceitação de sua cultura e seu poderio militar. Vê-se que apesar da liderança em termos de indicadores econômicos, o país ainda não atingiu o patamar de potência hegemônica.

Retornar ao topo

Algumas notícias:


Paz e Segurança Internacional
Por Cassiano Ribas, João Vitor Domingues e Rudá Schneider

Permanece elevada a tensão na Ucrânia. No último domingo, 11 de maio, foram realizados referendos nas cidades de Donetsk e Lugansk, questionando a população local acerca da “proclamação de autonomia estatal” dessas regiões do leste ucraniano. A votação, que deve ratificar a opção separatista, foi organizada pelas autoridades pró-Rússia da região, e é considerada ilegítima por Kiev e pelas potências ocidentais. Em Slaviansk, voltaram a ocorrer confrontos entre forças ucranianas e grupos pró-Rússia.

Na Síria, as forças rebeldes retiraram-se, na última semana, do centro histórico de Homs, até então um dos mais importantes redutos insurgentes do país. O processo de retirada foi realizado mediante um acordo entre os rebeldes e as forças leais ao governo. As eleições presidenciais ocorrem em algumas semanas, e devem reeleger Bashar al-Assad.

No Sudão do Sul, o cessar-fogo entre as forças governamentais e os rebeldes durou pouco mais de um dia. Novos confrontos ocorreram no país neste domingo, menos de 48 horas depois que o presidente, Salva Kiir Mayardit, e o líder dos insurgentes, Riek Machar, firmaram a trégua. O conflito já provocou o deslocamento de mais de 1,3 milhão de pessoas no país e é grande o risco de fome em massa caso os moradores não possam retornar para suas terras até a época da lavoura.

Retornar ao topo


Combate ao Terrorismo e ao Narcotráfico
Por Giovana Nakano

Neste período, é pertinente destacar dois pontos referentes ao combate ao narcotráfico. O primeiro diz respeito a regulamentação uruguaia, assinada no dia 5 de maio, a qual cria o primeiro mercado legal de maconha no mundo. A lei, além de regulamentar o consumo, permite o cultivo em casas, cria clubes canábicos e estabelece multas e penalidades para descumprimentos da norma. Segundo o secretário da presidência, Diego Cánepa, espera-se, no primeiro ano, uma diminuição no mercado ilegal “não só por motivos de preço, mas pela qualidade e segurança” que serão oferecidas. Na mesma linha de pensamento, tem-se o depoimento do vice-presidente Danilo Astori, uma semana antes da assinatura da lei: “Não se trata de legalização da droga, mas de regularizar o consumo. Até agora, os métodos repressivos não tiveram resultado. Isso (a lei) pode diminuir a margem do narcotráfico”.

O segundo ponto, diz respeito às Farc. O grupo rejeita as acusações estadunidenses de envolvimento direto no narcotráfico, feitas no relatório sobre terrorismo divulgado 30 de maio. “A única coisa que fazemos é cobrar um imposto aos grandes capitais que circulam nas regiões em que atuamos”, afirma a guerrilha. Apesar de não reconhecer a participação no narcotráfico, a Farc entende que o fenômeno é uma realidade no país e declara, na fala de Andrés Páris, um dos negociadores da guerrilha com o governo colombiano, que “o narcotráfico só será resolvido quando todos os países, mundialmente, dialogarem e buscarem uma solução comum. Só quando os países poderosos assumirem suas responsabilidades”. Da mesma forma, Fidel Rondón, um dos representantes em Cuba, lembra que “o império das drogas não sobreviveria sem apoio de capitais e setores do poder mundial”.

Outro fato a ser destacado a respeito das Farc, é que, segundo os representantes da guerrilha, após o final da 24° rodada de negociações de paz, o grupo e o governo colombiano estão próximos de um acordo sobre o terceiro dentre os seis temas em negociação, “como agir em relação ao narcotráfico”. Até o dia 12, quando o diálogo será retomado para uma possível resolução definitiva, ambas as partes realizarão consultas separadamente a fim de analisar os pontos em discussão. As delegações também convidam “todos os cidadãos e organizações sociais a participar com as suas propostas sobre a agenda de conversações através do seu site ou através dos governos e das prefeituras do país”.

Quanto a questão do terrorismo, tem-se a declaração do presidente nigeriano Goodluck Jonathan, na primeira sessão plenária do Fórum Econômico para a África, sobre o sequestro, na Nigéria, de 276 garotas pelo grupo muçulmano fundamentalista Boko Haram. Jonathan afirma ser o “início do fim do terrorismo” islamita. O presidente agradeceu a vinda dos representantes dos países a capital nigeriana. “Se os senhores tivessem se negado a vir, os terroristas teriam comemorado e teriam provocado mais caos”, acrescentou. Também agradeceu o apoio por parte dos EUA, França, China e Reino Unido, os quais ofereceram participar da operação para libertar as adolescentes, e a campanha mundial a favor do resgate é cada vez mais intensa.


Instituições Internacionais e Cooperação Bilateral
Por Marina Arvigo, Thais dos Santos e Thomás Peresi

 

No tocante à evolução das ações brasileiras para a consecução de maior preponderância no cenário internacional, destaca-se, nas últimas semanas, o encontro realizado, em 6 de maio de 2014, entre o Ministro das Relações Exteriores brasileiro, Embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, e o chanceler chileno, Heraldo Muñoz. O representante máximo da diplomacia brasileira foi à Santiago, com vistas à discussão da relação bilateral Brasil-Chile e também à participação no debate “O Diálogo Atlântico-Pacífico e Oportunidades de Comércio e Investimento na América Latina”, realizado no contexto do II Conselho Consultivo Empresarial da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico.

As perspectivas de maior integração solidificam-se em diversas áreas como, por exemplo, integração física, ciência e tecnologia, energia, direitos humanos e economia. Com relação às relações comerciais entre os dois países, há de se ressaltar o fato de que, nos últimos cinco anos, as trocas aumentaram em torno de 65% – chegando a relevante cifra de US$ 8,8 bilhões, em 2013. Ademais, houve uma evolução nos investimentos chilenos em território nacional : se em 2012, o Brasil era a segunda nação na qual existia maior aplicação de capital do Chile – US$ 12 bilhões -, hoje, somos o principal destino do empreendedorismo daquele país, com um valor que chega a US$ 24,6 bilhões, proporcionando a criação de aproximadamente 100 mil empregos em terras brasileiras.

É de se notar, inclusive, o convite, feito pelo chanceler Heraldo Muñoz, ao Brasil, para que designasse um diplomata a integrar a equipe diplomática chilena que representará o Chile no mandato de dois anos do país no Conselho de Segurança da ONU – órgão no qual nosso país almeja possuir assento permanente. A importância do estreitamento de relações com o Chile é de suma relevância não somente para interesses particularmente nacionais, mas também no relacionado ao MERCOSUL. Segundo fontes governamentais, em 2013, o valor das trocas comerciais entre os países do Mercado Comum do Sul e o Chile somou US$ 16,6 bilhões – enquanto o comércio do Chile com a Aliança do Pacífico chegou ao valor de US$10,1 bilhões, no mesmo período.

Desta maneira, constata-se que a atitude brasileira de estreitar relações com diversas outras nações é de extrema importância para trazer maior visibilidade para o Brasil, no cenário internacional – desenvolvendo-se sempre com respeito aos ditames constitucionais que regem a política externa, insculpidos no artigo 4º da Constituição Federal de 1988.

Algumas notícias:


Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.

Anúncios

Observatório da Política Externa do Brasil: Informe nº. 49

Observatório da Política Externa do Brasil (NEI/FDUSP)

Sumário de temas da agenda de política externa brasileira (20.07.20XI – 26.07.20XI):

Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Programa Ibero-Americano sobre a Situação dos Idosos; visitas oficiais à África; Unasul discutirá inclusão social; doação de alimentos a Somália

Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Acordos de Comércio Preferencial; Painéis da OMC; Energia Renovável, Tratamento nacional; Recursos do FMI; Dívida Americana

Paz e Segurança Internacional
Regulamentação da Resolução 1973 (2011) do CSONU

Terrorismo e Narcotráfico
Atentados na Noruega

Instituições internacionais e cooperação bilateral
Brasil; África do Sul; Visita de Antonio Patriota


Desenvolvimento, pobreza e ações de combate à fome
Por Christine Park e Juliana Alexandre

Durante a reunião do Programa Ibero-Americano sobre a Situação dos Idosos na Região, a partir desta terça-feira (26), em Buenos Aires, na Argentina, Maria José de Freitas, diretora do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), fala sobre a política social brasileira para esse público. O encontro visa debater a formulação de um programa para a área e fixar um calendário de trabalho até a XXI Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, a ocorrer em 28 e 29 de outubro, em Assunção, no Paraguai. A diretora do MDS apresentará o Sistema Único de Assistência Social (Suas) brasileiro e falará sobre Benefício de Prestação Continuada (BPC), carteira do idoso, serviços ofertados nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e ações desenvolvidas nos Centros de Referência Especialuzados de Assistência Social (Creas). O Brasil possui mais de 16,2 milhões de pessoas extremamente pobres, com renda per capita mensal de até R$ 70. Desses, 5,1% são idosos. O Bolsa Família atende 12,9 milhões de famílias em todo o território nacional, dos quais 751 mil, idosos. Desses, 47,3% são mulheres e 52,7%, homens. O Plano Brasil Sem Miséria prevê a inclusão de 145 mil pessoas idosas em benefícios e programas de transferência de renda.

O Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, realizou nos dias 22, 23 e 24 diversas visitas oficiais a países africanos. Entre elas, à Windhoek no dia 23 de julho, quando manteve reunião de trabalho com o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Namíbia, Utoni Daniel Nujoma. Os Chanceleres discutiram o aprofundamento da cooperação bilateral em diversos setores, inclusive segurança alimentar e organização de eleições. Além disso, o Ministro realizou visita oficial à África do Sul onde se reuniu com a Ministra de Relações Internacionais e Cooperação, Maite Nkoana-Mashabane. Brasil e África do Sul mantêm, igualmente, intensa coordenação diplomática, diversificada agenda de cooperação e vários fóruns de contato entre as respectivas sociedades civis no âmbito do Fórum IBAS (Índia-Brasil-África do Sul). O Fórum financia importantes ações de cooperação Sul-Sul em diversos países da África, Ásia e no Haiti, por meio do “Fundo IBAS de Combate à Fome e à Pobreza”. A África do Sul sediará a próxima cúpula do IBAS, em 18 e 19 de outubro.

No dia 28 de julho, quinta feira, os governantes dos 12 Estados sul-americanos que integram a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) se reunirão em Lima para tratar do “tema social na região e a igualdade” na região, conforme María Emma Mejía, secretária-geral do organismo regional. A cúpula terá por objetivo, pois, discutir a inclusão social e a integração regional, assuntos caros para a região. María Mejía declarou para a Agência Efe que o enfoque durante a cúpula será construir bases para programas sociais de longo prazo destinados a reduzir a desigualdade e a pobreza. Ainda segundo a EFE, a secretária-geral afirmou que Humala, que tomará posse como presidente do Peru na mesma data da reunião da Unasul, pretende convocar uma cúpula social no final do ano para que se possam determinar as prioridades na região e compartilhar os programas que tiveram sucesso dentre os países.

O Brasil enviará 20.000 toneladas de alimentos a Somália durante as próximas semanas. A doação é motivada pela grave crise de fome que enfrenta o país receptor, devido ao que a ONU descreveu como a pior crise de seca nos últimos 50 anos e pelo compromisso em participar da cooperação humanitária destinada a auxiliar países da África oriental. Também serão destinatários a Etiópia e o Quênia, chegando-se a aproximadamente 80.000 toneladas de alimentos a serem enviados. A doação foi possível por meio da lei sancionada pela presidente no mês passado, em que o país se compromete a doar no presente ano o total de 710.000 toneladas de alimentos a diversos países por meio do Programa Mundial de Alimentos (PMA), o que deve custar ao país em torno de 350 milhões de dólares. Segundo a mídia internacional, o Brasil está, atualmente, entre os maiores oito doadores mundiais de alimentos.

Algumas notícias:


Comércio Internacional, OMC e sistema financeiro internacional
Por André Cardozo, Lucas Bulgarelli e Lucas Eiras

Em relatório divulgado no dia 20 de julho, a OMC destacou para o risco da quantidade cada vez maior de acordos de comércio preferencial (ACP). Nos últimos 20 anos, quadruplicou o número destes acordos, até chegar aos atuais 300 em atividade”, ressaltou o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, na apresentação do “Relatório sobre o Comércio Mundial 2011”. Os acordos comerciais preferenciais permitem a importação de bens dos países signatários com tarifas menores do que as estabelecidas pelas importações dos demais países e se proliferaram por meio de tratados econômicos e comerciais de caráter regional.

Ainda sobre a OMC, a organização estabeleceu recentemente dois painéis concomitantes, para resolver litígio entre Japão e Canadá e Moldávia e Ucrânia, respectivamente, sobre a aplicação de subsídios a energia renováve – fonte solar – canadens, por meio de Feed-In Tariff, o que potencialmente poderia infligir as regras da OMC ou ser um subsídio aceitável; e as tarifas impostas ao Cognac ucrâniano, supostamente mais barato que os importados, o que violaria a regra do tratamento nacional.

A questão da dívida americana continua gerando controvérsias: o FMI divulgou em seu relatório anual sobre a economia americana, publicado nos meses de julho, a necessidade do aumento do teto da dívida, sob o risco de moratória americana, o que poderia ter consequências graves sobre os mercados finaceiros de todo o mundo. “É claro que o limite da dívida do estado federal deve ser elevado rapidamente para evitar um choque grave para a economia americana e para os mercados financeiros mundiais”, indicam os economistas da entidade.

A recém empossada presidente do Fundo, Lagarde, ainda destacou que o assunto sobre a quantidade de fundos disponíveis para empréstimo da entidade deve ser revisto num futuro breve. Cabe lembrar que durante a crise o mesmo fundo precisou ser dobrads para ajudar a fornecer suporte financeiro suficiente para uma série de países com problemas econômicos.
Ainda se deve ressaltar o risco no mercado europeu, que pode atingir Itália e Bélgica. A atual crise, de acordo com o órgão, pode aumentar as diferenças entre os países centrais e a periferia da União Européia, afetando também o mercado global. O FMI estima que 17 países do bloco vão ter um crescimento econômico de 2% este ano – mais alto do que a previsão anterior, de maio -, mas essa expansão cairá para taxas de 1,7% em 2012, mais baixas do que a estimativa prévia, de 1,9%.

Retornar ao topo

Algumas notícias:


Paz e Segurança Internacional
Por Jefferson Nascimento

No dia 19/07, foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto nº. 7.527, que trouxe disposições sobre a execução no território brasileiro da Resolução 1973 (2011) do Conselho de Segurança da ONU, adotada em 17/03/2011. A Resolução estabelece zona de exclusão no espaço aéreo da Jamahiriya Árabe da Líbia, prevendo, entre outras disposições, o reforço do embargo de armas e do congelamento de ativos financeiros de autoridades líbias, além de conter autorização aos Estados-membros da ONU para tomar as medidas que julgarem necessárias para proteger as populações civis na Líbia.

O Brasil – ao lado de China, Rússia, Índia e Alemanha – se absteve na votação da Resolução 1973.

Retornar ao topo


Terrorismo e Narcotráfico
Por Tiago Megale e Jefferson Nascimento

O Ministério das Relações Exteriores, em nota à imprensa, condenou os atentados ocorridos em 22 de julho contra prédios do governo da Noruega em Oslo e em evento político na ilha de Utoya. O governo do Brasil transmitiu ainda à Noruega condolências e solidariedade. Em nota datada 22/07, a presidenta Dilma Rousseff encaminhou mensagem ao primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, manifestando “profunda consternação” em face aos atentados ocorridos no mesmo dia.

Retornar ao topo

Algumas notícias:

Retornar ao topo


Instituições internacionais e cooperação bilateral
Por Jefferson Nascimento

O Ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, em visita à África do Sul, em 23/07, manteve extensa agenda como sua homóloga sul-africana, Maite Nkoana-Mashabane, incluindo, entre outros, temas de cooperação bilateral, comércio e investimentos, segurança alimentar, a situação no Sudão e Sudão do Sul e Governança Global. A Parceria Estratégica bilateral, lançada em julho de 2010, teve sua importância realçada, o mesmo ocorrendo com a cooperação em matéria de energia (nuclear, biocombustíveis e gás) e na área de defesa.

O apoio sul-africano à vitoriosa candidatura de José Graziano da Silva ao cargo de Diretor-Geral da FAO também foi mencionado, ao lado da necessidade de assegurar a segurança alimentar em países em desenvolvimento, com destaque para situações de grave crise, tal qual se verifica atualmente na região do Chifre da África.

Sobre o tema da Governança Global, os dois países reafirmaram o compromisso com a democratização das instituições multilaterais, por intermédio da parceria desenvolvida, entre outros, no Conselho de Segurança da ONU, no G-20 financeiro, no G-20 comercial e nos agrupamentos IBAS, BRICS e BASIC.

Finalmente, Brasil e África do Sul reiteraram o apoio ao reconhecimento do Estado Palestino pela comunidade internacional.

Retornar ao topo

Algumas notícias:


Dúvidas sobre o Observatório da Política Externa do Brasil do NEI/FDUSP? Contate-nos em observatorio@nei-arcadas.org.